Memória: pensamento de Lévi-Strauss ainda ecoa pelos campos do saber
Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Belga de nascimento, reconhecido pelo mundo como francês, Claude Lévi-Strauss foi um dos pensadores fundamentais do século 20. E também um dos mais longevos: morreu na semana passada, quando já preparava-se para completar 101 anos. A importância do antropólogo, filósofo e explorador, autor de obras cruciais para as ciências sociais (Tristes trópicos, O cru e o cozido, Mitológicas) e pioneiro do estruturalismo corrente de pensamento filosófico que apreende a realidade social como um conjunto formal de relações é lembrada mais uma vez pelo Jornal do Brasil com a publicação de três textos sobre sua vida e obra, que por várias vezes estiveram ligadas intimamente ao nosso país. Foi na Floresta Amazônica, entre 1935 e 1939, que Lévi-Strauss coletou o material de campo para sua mais consagrada obra, Tristes trópicos (1955), estudando o comportamento de tribos indígenas da região. Na mesma época, atuou como professor na Universidade de São Paulo (USP), onde foi um dos fundadores do departamento de ciências sociais.
Num artigo de autoria de Larry Rohter, correspondente do jornal The New York Times no Brasil, a influência de Tristes trópicos é relembrada. O antropólogo José Reginaldo Santos Gonçalves defende que ainda há todo um universo inexplorado nos escritos de Lévi-Strauss e aponta como seus livros mudaram a forma de pensar as ciências sociais. E o poeta e professor Sérgio Medeiros sustenta que a visão etnográfica do pensador é crucial para entender a subjetividade humana contemporânea.
