Fotobiografia de Marcos Vilaça destaca momentos da vida do acadêmico
Taís Toti, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Fotos e depoimentos que permitem ao leitor não só conhecer a vida de uma figura pública, como também fazer um passeio pelos momentos da história do Brasil em que ele atuou. Assim é a fotobiografia do acadêmico Marcos Vilaça, Singular e plural, que será lançada amanhã pela Editora Casa da Palavra. A edição organizada por José Mario Pereira reúne texto introdutório do jornalista Luciano Trigo, que colheu depoimentos de Vilaça e amigos, e as fotos essenciais da infância, juventude. As primeiras atividades como produtor de cultura, as grandes amizades, a eleição para a Academia Brasileira de Letras, a vocação para a amizade, as relações com o poder, seu gosto pelas viagens, e sua ligação de cumplicidade permanente com a mulher, Maria do Carmo, e com a família.
Eles incluíram fotografias minhas feitas pela minha mulher, o que me agradou muito. A demonstração do meu trabalho no plano cultural, na Academia e com o Patrimônio Histórico... é agradável ver isso no livro alegra-se o imortal. Isso me dá consciência de que, se não fiz grandes coisas, fiz coisas honestas. É o que me satisfaz.
José Mario Pereira dá detalhes sobre o acervo de fotos do acadêmico imenso , diz ele:
Suponho ter examinado em torno de 15 mil fotografias nas quais ele aparece. Desenhei uma estrutura para o livro e procurei segui-la explica. Marcos Vilaça é um grande emotivo, e um homem com a compulsão do fazer.
O biografado conta que a disponibilidade de material para o livro contou com o fato de sua mãe e sua mulher terem se encarregado, ao longo de sua vida, de fazer um arquivo muito grande. Parte dele foi, inclusive, doado à ABL.
Os retratos também mostram figuras importantes da história brasileira, como fotos que documentam suas relações de amizade com quase todos os presidentes brasileiros a partir de Geisel. Há também, no livro, uma seleção de dedicatórias de escritores amigos para Vilaça, como Carlos Drummond de Andrade, Eduardo Portella e Ariano Suassuna.
No dia em que Vilaça recebeu o livro me telefonou para comentar, e me agradeceu o espaço que dei ao filho Marcantonio, que fez uma verdadeira revolução no mercado de arte no Brasil de seu tempo, e que, infelizmente, se foi tão cedo diz Pereira sobre o filho do acadêmico, artista plástico morto em 2000, aos 37 anos.
O organizador do volume acredita que, algum dia, Marcos Vilaça encare o projeto de uma autobiografia, ou de um livro de memórias.
Há muito a contar... pouca gente conhece tanto os bastidores do poder. Pouca gente conhece a história íntima das grandes empresas e dos grandes empresários quanto ele, que foi ministro do Tribunal de Contas da União.
Desde 1985 ocupando a cadeira 26 da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça se prepara para reassumir a presidência no ano que vem, e ressalta sua contribuição para a Casa:
Procurei tornar a Academia cada vez mais aberta, interagindo com a sociedade, e não uma coisa fechada e elitista. Os colegas entenderam que a proposta era adequada. A história da Academia cuida da tradição, mas também precisa acompanhar o tempo.
As contribuições durante a passagem de Vilaça pelo governo federal foi titular da Secretaria da Cultura (orgão do Ministério da Educação que antecedeu a criação do MinC) na gestão de João Figueiredo também são marcantes:
Meu orgulho é ter deixado o Paço Imperial para os cariocas, e ter feito o primeiro tombamento brasileiro de um bem da cultura afro, o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador. Antes só se cuidava de tombar o patrimônio dos brancos; estava completamente esquecida a herança cultural vinda dos africanos.
