Jornal do Brasil

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Cultura

Festival 'Ópera na Tela' leva ópera aos grandes públicos do cinema

Jornal do Brasil

Luiz Felipe Reis, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Expressões como ingressos esgotados , salas lotadas e crescente demanda não costumam ser associadas a espetáculos de ópera. Muito menos no Rio de Janeiro. Certo ou errado? Ao inaugurar nesta sexta-feira o festival Ópera na Tela, o Centro Cultural Correios não apenas contraria essa ideia, como dá continuidade a um sucesso que começou em fevereiro quando as montagens do Metropolitan Opera House de Nova York foram programadas em algumas salas de cinema da cidade. Até o dia 25 de outubro, um telão gigante instalado na Praça dos Correios projetará nove filmes, a grande maioria inédita no Brasil, com um cardápio de grandes espetáculos filmados, documentários, e filmes que abordam o universo operístico.

Para a abertura da programação, o curador e coordenador geral da mostra, Christian Boudier, selecionou Mireille, ópera de Gounod que foi apresentada no dia 14 de setembro na abertura da temporada 2009, do Palais Garnier, em Paris, e filmada por François Roussillon.

Se tiver acesso às óperas, o público comparece. Esse fantasma de que se você não é um erudito não pode apreciar deve ser desmistificado afirma Boudier. O que afasta são os preços cobrados. Por isso a nossa lógica é diferente da adotada pelo Metropolitan, que decide pela difusão por interesses comerciais.

Já no sábado, será exibida A valquíria, de Richard Wagner, sob direção de Stéphane Braunschweig e com Simon Rattle à frente da Filarmônica de Berlim, em 2007. No domingo, a praça recebe a pré-estreia mundial de Macbeth, de Verdi, apresentada em maio na Opéra Bastille pelo encenador russo Dmitri Tcherniakov.

Vai ser uma grande oportunidade para o público. A valquíria conta com cantores absolutamente maravilhosos. É uma encenação muito pura da obra de Wagner destaca o curador. Já Macbeth, filmada pelo Andy Sommer, teve uma montagem envolta em polêmica. É uma abordagem moderna e provocativa que, desde a estreia, na França, tem gerado reações muito fortes de clamor ou repulsa.

O programa a ser exibido na praça conta ainda com títulos como Dido e Enéas, de Purcell, filmados em 2008; Il trovatore, de Verdi, captada em 2006; Merlin, de Isaac Albeniz, apresentada em 2003 sob o comando de John Dew; Medeia, de Luigi Cherubini, de 2008, além dos filmes Tosca (2000), de Benoit Jacquot, baseado na ópera em três ato de Puccini, e Don Giovanni (1978), de Joseph Losey, sobre a peça de dois atos de Mozart. O público ainda confere a ópera-balé Orfeu e Eurídice, de Gluck, com coreografia de Pina Bausch.

A coreografia de Pina é uma maravilha, um verdadeiro diamante a ser apreciado compara.

Para Boudier, o poder de atração das óperas reside em sua condição de reunir as mais variadas vertentes artísticas.

O público se apaixona pelos cantores, pelos figurinos, pela história, pela estética... Uma variada gama de fatores que seduz um público cada vez maior também aqui no Brasil diz o curador. São histórias simples e cotidianas que ganham força e beleza na ópera. Falam sobre dilemas humanos, sobre poder, amor, ambição...

Além das óperas em telão, um festival de filmes ocupa o teatro dos Correios e o Instituto Moreira Salles, até o dia 29. Na mostra, filmes sobre o balé Peer Gynt e documentários como Prokofiev O diário inacabado, Mahler - A quinta sinfonia, Villa-Lobos, a alma do Rio e Ravel - A paixão bolero, entre outros destaques como o filme Ária, no qual diretores como Jean-Luc Godard, Robert Altman e Ken Russell criam livres interpretações.

A exibição de obras de Puccini e Donizetti, entre outros grandes compositores, por iniciativa da distribuidora Moviemobz (que mantém em cartaz o Festival Metropolitan de Óperas, em quatro cinemas da cidade) impulsionaram uma relação inexplorada entre o carioca e este tipo de espetáculo.

A nossa política é de formação de público, de popularizar a experiência confirma Boudier. E fazer com que a ópera seja incorporada no cotidiano brasileiro. Por isso apresentaremos esses trabalhos magníficos em praça pública, com o melhor projetor do mundo. Vamos reproduzir a emoção de uma sala de espetáculos. Fazer com que a partir deste impacto, as pessoas se interessem em pesquisar.