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Diretor e professor da New York Film Academy no Brasil

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Camila Crespo, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Esqueça a pose de cinéfilo e as mais complexas teorias da arte cinema. Para a New York Film Academy (Academia de Cinema de Nova York), pouco importa os filmes que você deixou de assistir nos últimos anos de efervescência cinematográfica. A instituição fundada em 1992 prioriza a prática e encara o setor como trabalho árduo: a ordem é dirigir, produzir e atuar logo nas primeiras aulas.

O estudante não precisa ter vindo de Harvard ou ser um expert para entrar na New York Film Academy. Nós queremos dedicação e vontade. O primeiro passo é entregar a câmera na mão dos alunos. É mais difícil permanecer na escola, do que entrar nela antecipa Dan Mackler, diretor da unidade da NYFA de Los Angeles, que conversou com o Jornal do Brasil durante a visita que fez ao Rio de Janeiro, acompanhado por Adam Nimoy (professor de direção de TV da Academia).

Os americanos estiveram em São Paulo e no Rio para uma série de palestras sobre as possibilidades oferecidas pela NYFA nas áreas cinematográficas e na direção televisiva. Fundado em 1992, o complexo oferece programas intensivos e workshops de direção, roteiro, animação computadorizada e atuação, além de uma parceria com a NBC News, que resultou no novo curso de jornalismo digital. Apesar da variedade de áreas e estilos, a filosofia de aprender entre erros e acertos prevalece em todas as atuações e filiais, que já tem estabelecimentos espalhados em Paris, Roma, Xangai, Tóquio, Londres.

Filho do Senhor Spock

As trajetórias do diretor e professor de Los Angeles parecem justificar o princípio do acesso irrestrito a quem tenha a aspiração de fazer filmes. Ambos iniciaram carreiras longe dos projetos cinematográficos. Mackler foi estudante de ciências políticas e cogitou ainda ser diplomata antes de enveredar pelo cinema. Mudou de ideia a bordo de um avião, em um voo para a Rússia, quando no trajeto recebeu um convite de trabalho como fotógrafo. Foi ainda produtor e publicitário na filial da agência de publicidade McCann Erickson em Moscou e editou um livro de fotografias no Chile. O primeiro emprego direto na indústria audiovisual veio tarde, como assistente do diretor Spike Lee em A última noite, precisamente como tradutor (do russo para o inglês).

Adam Nimoy, por sua vez, resistiu o quanto pôde seguir os passos do pai, Leonard Nimoy, o Senhor Spock das séries originais de Jornada nas estrelas. Mas descobriu que não é muito criativa a vida de um advogado.

Não podia continuar a assinar papéis e atender telefones a vida inteira. Meu pai me ajudou e eu consegui meu primeiro emprego em Star trek: the next generation, continuação da série original. Aos poucos, comecei a desenvolver projetos de minha autoria e permaneci na indústria conta Nimoy, que possui vasta experiência em direção de seriados de TV (Gilmore girls, The practice e NYPD blue, entre outros).

Os representantes da New York Film Academy veem um bom potencial no mercado brasileiro e nos profissionais daqui que buscam o curso nos EUA.

Eles são ótimos, tem energia de sobra e se envolvem muito nos projetos. No nosso último curso de verão, recebemos cerca de 60 estudantes do Brasil contabiliza Mackler. Temos muito interesse na indústria de cinema de vocês, tanto que existe um festival brasileiro em Los Angeles. Adoraríamos ensinar e abrir uma filial aqui, mas isso ainda é muito precoce. Temos que crescer mais internamente.

Adam Nimoy, por sua vez, também é fã do cinema produzido por aqui:

Os brasileiros parecem entender o que queremos fazer na escola. E são muito receptivos, apesar de nossa intensa carga-horária. Sete dias por semana, 24 horas respirando cinema. É um prazer ensinar para eles, que têm esta fome de conhecimento.

Quando indagado sobre suas preferências entre filmes e diretores do país, Cidade de Deus é uma unanimidade entre os dois.

O filme tem muita paixão e alma, por isso, é uma narrativa belíssima. Nós ensinamos três fundamentos básicos para nossos alunos na New York Film Academy: história, história e história. Porque bons escritores, diretores e atores fazem isso, contam boas histórias complementa Nimoy.