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Cultura

Tudo é simples e condensado na estreia de Marina Person

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Macksen Luiz, Jornal do Brasil

RIO - Ménage marca a estreia na direção de Marina Person e lança três autores, que, com textos curtos tratam dos relacionamentos de casais. Nesta montagem, em cartaz no Espaço Sesc, tudo é doméstico, simples, condensado. A começar pelas próprias peças, quase vinhetas dramáticas, com concentração narrativa em busca de flagrar situações cotidianas. Em Rex, do americano Joe Pintauro, a mesa de jantar é a arena para o embate de banalidades, enquanto em Fogo, escrita por Ivo Müller e Guilherme Solari, revela-se o esgotamento da realidade pela obsessão consumista. E em Tudo bem, do dramaturgo (também americano) David Ives, as diversas camadas da linguagem vão construindo a aproximação de um homem e uma mulher.

Com a simplicidade de meios e os cuidados de um primeiro trabalho, a diretora armou espetáculo intimista, que projeta sob três perspectivas as interferências do mundo atual sobre individualidades. Na própria seleção dos textos, Marina Person condiciona a montagem, que assume caráter levemente perverso sobre os cotidianos. Nestas vinhetas, o casal de atores necessita flexionar suas interpretações de acordo com o registro dramático de cada texto.

Em Rex, em que a ironia e a mordacidade são essenciais para extrair o humor crítico do texto, muito se perde por causa dos atores, que se mostram intelectualmente mecânicos. Já em Fogo há maior distensão, mas a previsibilidade da narrativa esgota a linha de atuação em poucos minutos. Tudo bem, a mais bem acabada e melhor das três peças curtas, encontra em Domingas Person e Ivo Müller os bons intérpretes que impõem ritmo preciso ao diálogo desestruturado de sentimentos que desaguam no otimismo final.