Jornal do Brasil

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Cultura

"Avatar": videogame cinematográfico

Jornal do Brasil

Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil

RIO - Depois de se tornar o rei do mundo , para onde ir? Talvez para um mundo completamente diferente. Essa é a dúvida que James Cameron tenta responder com Avatar, primeiro longa-metragem de ficção que o canadense dirige desde que quebrou todos os recordes da história do cinema como Titanic, em 1997. Nos últimos 12 anos, Cameron viu seu título de mestre do cinema-espetáculo ser disputado por desafiantes como Peter Jackson, os irmãos Wachowski e Michael Bay. Com Avatar, o criador de O exterminador do futuro não apenas quer criar mais um épico de ficção científica. Também almeja levar a nova geração de filmes 3D para um próximo patamar, empregando efeitos especiais de cair o queixo. Juntando isso tudo, o filme a história da chegada dos terráqueos de um planeta distante, cheio de criaturas extraordinárias tornou-se a mais ansiosamente aguardada produção de 2009. A data de estreia é 18 de dezembro mas o Jornal do Brasil assistiu a uma seleção de cenas do filme, exibidas durante o Avatar Day: a última sexta-feira, quando uma seleta lista de cinemas em todo o mundo exibiu um preview de 15 minutos do longa.

Corpo alienígena virtual

Oi, aqui é Jim Cameron diz o próprio diretor (ou melhor, sua imagem em 3D), na introdução da prévia de Avatar. Vocês vão assistir agora algo que é muito mais que um simples trailer. Mas não se preocupem, nenhum segredo sobre a trama será revelado. Todas as cenas foram tiradas da primeira metade do filme.

O que se segue é, realmente, mais que um trailer. Devidamente munidos de óculos especiais para aproveitar os detalhes dos personagens e dos cenários que saltam da tela, assistimos a uma cena introdutória que mostra Stephen Lang como um militar que recepciona uma turma de novos cadetes espaciais que rumam ao planeta Pandora. Meu dever é manter vocês vivos. Eu não vou conseguir. Pelo menos, não com alguns de vocês , diz Quaritch, personagem de Lang. É quando vemos pela primeira vez Jake (Sam Worthington, recentemente visto em O exterminador do futuro A salvação), o protagonista do filme. Paraplégico, o jovem militar empurra sua cadeira de rodas em direção à tela, como se se viesse das fileiras de assentos do cinema impressão criada pela fotografia em 3D estereoscópico, processo que junta duas câmeras de alta definição em um único aparelho e que foi usado pela primeira vez em um filme de longa-metragem em Avatar.

Jake será o próprio avatar: sua consciência é transferida para um corpo híbrido de humano e alienígena, capaz de sobreviver sem precisar de equipamentos especiais na superfície de Pandora. Quem o guia neste processo é a doutora Grace Augustin (Sigourney Weaver, que trabalhara com Cameron em Aliens O resgate). Quando o novo corpo de Jake surge cerca de três metros de altura, pele azulada, feições felinas, braços compridos e um rabo idem é que o poderio digital de Avatar começa a se fazer sentir. A criatura é totalmente criada por computador, usando um sistema que permitiu a Cameron dirigir os personagens e manipular os cenários em tempo real.

Pode-se dizer que Avatar está em pós-produção desde antes do começo das filmagens brinca Cole Taylor, um dos produtores da Legacy Effects, estúdio de efeitos especiais que trabalhou com Cameron na criação do visual do longa. Nos últimos 14 meses, nós e várias outras companhias de efeitos estivemos trabalhando nas imagens do filme. É uma mistura de atores reais, personagens criados por computador, cenários virtuais e paisagens verdadeiras.

Jake, no corpo de seu avatar, desce ao mundo alienígena, e pode-se ver afinal onde foi aplicado todo este esforço. O planeta Pandora de James Cameron é um luxuriante ambiente selvagem, combinando com a ideia do diretor de fazer do filme uma metáfora para o colonialismo que destrói a natureza e escraviza povos agora em escala interplanetária. Jake se defronta com uma criatura impensável, uma espécie de rinoceronte com cabeça de tubarão-martelo. Escapa bem da ameaça, mas enfrenta uma outra ainda mais perigosa: um híbrido de inseto gigante com o ágil corpo de uma pantera, que parte com tudo para cima do terráqueo. A cena da luta é empolgante, e os efeitos 3D tornam os cenários e os personagens vivos de um modo ainda não visto na nova safra de filmes tridimensionais.

Sem expressividade

Vivos até certo ponto. A impressionante maestria digital não consegue fazer com que os personagens tenham expressões realmente humanas (ainda que as interpretações de Avatar sejam um progresso e tanto em relação a projetos semelhantes como A lenda de Beowulf). Ainda pode-se reconhecer as feições de Worthington e Zoe Saldaña (que interpreta a alienígena Neytiri) debaixo das camadas de CGI, mas os rostos são duros... computadorizados. A movimentação, entretanto, é perfeita, fluida e realistica.

Ainda no preview há uma cena de tirar o fòlego, na qual Jake cavalga um ikran, espécie de dragão alado, e uma sequência de batalha, com o exército de terráqueos enfrentando a raça nativa de Pandora. Uma exposição de tecnologia brilhante, que levou milhares de pessoas a ficarem por horas em longas filas na última Comic-Con, tentando ver essas mesmas cenas.

Todo mundo em Hollywood que viu o filme confirma: Avatar vai mudar a história dos efeitos especiais no cinema afirma o produtor Paul Salamoff, autor de On the set: livro sobre segredos de bastidores de estúdios e locações de filmagens.