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Nova Aguilar lança, em dois volumes, obra completa de Guimarães Rosa

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RIO - A Nova Aguilar, em parceria com a Nova Fronteira, manda para as livrarias uma nova edição revisada de João Guimarães Rosa: ficção completa, que reúne em dois volumes a totalidade da produção ficcional do escritor mineiro: a estreia com Sagarana, depois Manuelão e Minguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém, Noites de sertão (o ciclo de novelas que integra Corpo de baile), a obra-prima Grande sertão: veredas, e os contos de Primeiras estórias, Tutaméia, Estas estórias e Ave, palavra. A coletânea de poemas Magma, de publicação póstuma, não está incluída na edição. Tampouco textos dispersos publicados na imprensa.

Os volumes apresentam cronologia da vida e da obra, bibliografia, iconografia, um diálogo com Günter Lorenz e extensa fortuna crítica assinada por nomes como Tristão de Ataíde, Franklin de Oliveira, Antonio Candido, Augusto de Campos, Walnice Nogueira Galvão, Luiz Costa Lima, Paulo Rónai, Haroldo de Campos, entre outros. A organização é de Eduardo F. Coutinho.

A fortuna crítica de Guimarães Rosa cresce a todo momento, como aumenta e diversifica seu público leitor, e cada travessia realizada pelas páginas de seus livros é, como afirmou o próprio autor a respeito do idioma, uma 'porta para o infinito' , escreve o organizador no prefácio.

Rara entrevista

O alentado diálogo com o crítico alemão Günter Lorenz é de especial interesse, por ser um dos poucos documentos desse tipo que o escritor deixou. A conversa entre os dois se deu no Congresso de Escritores Latino-Americanos, realizado em Gênova, em janeiro de 1965, dois anos antes da morte de Guimarães Rosa.

Era proverbial a aversão dele a entrevistas há páginas divertidas nas quais jornalistas contam os dribles que ganharam do escritor. Mas falou lá fora, como se inaugurasse uma praxe seguida por seus colegas Rubem Fonseca fala e fala muito com a imprensa desde que esteja no exterior; recentemente, Chico Buarque, que não disse um ai sobre o romance Leite derramado, concedeu enorme entrevista a um jornal português em torno do livro.

Algumas frases do homem no tal papo:

Quando os escritores levam a sério o seu compromisso, a política se torna supérflua.

Como medico conheci o valor místico do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte.

Nós, os homens do sertão, somos fabulistas por natureza.

A filosofia é a maldição do idioma. Mata a poesia, desde que não venha de Kierkegaard ou Unamuno, mas então é metafísica.

Nós, os escritores, somos uma raça realmente estranha, e eu sou certamente o mais estranho deles todos.

Peço-lhe que não use essa horrível expressão entrevista. Eu certamente não teria aceito seu convite se esperasse uma entrevista. As entrevistas são trocas de palavras em que um formula ao outro perguntas cujas respostas já conhece de antemão.

(Pela transcrição, A.C. S.)