Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Julho de 2017

Cultura

Grupo Unha de Gato leva o samba carioca pela terceira vez à Polônia

Jornal do Brasil

Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil

RIO - O grupo Unha de Gato, especialista em samba e choro, conhecido por longas noitadas na Lapa, leva pela terceira

vez seu balanço carioca para Varsóvia, capital da Polônia.

O país, curiosamente, cai de quatro pelos ritmos brasileiros, e o quinteto viu ali a porta de entrada para levar sua música à Europa. Em setembro, será uma das principais atrações da sétima edição do Festival da Cultura Brasileira de Varsóvia. No país, as caipirinhas, que tão bem acompanham as rodas de samba no Rio, dão lugar a generosas doses de vodka.

Não sei o que eles tomam, mas o povo lá fica maluco com a nossa batucada, mais eufóricos até que o público aqui no Brasil, parece que se transformam diverte-se Rodolpho Dutra, pandeirista do quinteto. Pedem para a gente ficar naquele ritmo incessante, é como um mantra. E gostam muito de cantar juntos, adoram músicas com refrão fácil, como Vai vadiar.

Importados da Lapa

Em maio de 2008 deu-se a primeira investida do Unha de Gato em Varsóvia. Fruto de convite de uma empresa européia de satélites, cujo gerente acabara de voltar da capital carioca, onde, numa noitada memorável no Rio Scenarium,

se encantou com o som do grupo. Só faltou, comenta Dutra, sair dançando pelo salão uma típica polca polonesa gênero comum aos seus ouvidos e de compasso binário assim como o nosso samba. Contato feito, a empresa importou a banda para sua festa anual, que tinha como tema o Brasil. A empreitada rendeu ainda mais uma apresentação, numa casa de shows.

Em Varsóvia, a música brasileira acontece mais do que a gente imagina daqui destaca Tiago Souza, bandolinista do grupo. Tem um badalado DJ por lá, chamado Ed Chinchila, viciado em música brasileira, com quem deixamos nosso CD. Quando voltamos à cidade estávamos tocando no rádio e nos shows as pessoas já pediam as músicas pelo nome. É surreal, porque aqui no Brasil não figuramos nas programações das FMs.

O bandolinista tenta explicar como se deu a comunicação do grupo com o público polonês.

O pessoal gostou tanto do show que, ao final, o presidente da empresa estava nos esperando na saída do palco esforça-se para lembrar Souza. Ele não falava nada de português e a gente zero de polonês, claro. E no grupo, só o Rodolpho fala inglês. Resumo da ópera, digo, do choro: ele nos levou para sua mesa, ao lado do bar onde havia vodkas de todas as marcas e cores. Foi um samba do crioulo doido, com todo mundo batendo altos papos sei lá em que idioma.

Exatamente um ano depois da primeira investida, em maio deste ano, o quinteto voltou ao país, desta vez para uma miniturnê por cinco cidades, de nomes impronunciáveis, repletos de consoantes. Além de Varsóvia, tocaram em Gdynia, Mikolajki, Gdansk e Olsztyn.

Quando recebemos o e-mail com os nomes das cidades onde nos apresentaríamos, cada um chutou a pronúncia, mas ninguém acertou conta Dutra, sem conter o riso.

O pandeirista, mais Tiago, o violinista Leandro Saramago, o clarinetista Ivan Mendes e o percussionista Dinho Rosa já estão colocando os agasalhos na mala apesar de ser verão por lá, as temperaturas no Hemisfério Norte estão longe do calorzinho que às vezes dá as caras no inverno carioca. O Festival da Cultura Brasileira de Varsóvia acontece de 5 a 7 de setembro, com shows no Palacio Kazimierzowski da Universidade de Varsóvia, além de mostra do cinema brasileiro, espetáculos de teatro, grupos folclóricos de Pernambuco, desfile de Carnaval e até apresentação da maior escola de capoeira da Polônia, a Beribazu-Polska.

Desta vezes teremos uma visibilidade ainda maior aposta Dutra. O evento, que tem o apoio da embaixada do Brasil, é bastante divulgado e as atrações costumam ser alvo de reportagens em jornais e TVs polonesas.

Nas turnês internacionais, o quinteto mescla o repertório autoral do primeiro álbum, Festa pro povo (2008), com conhecidos clássicos do choro e do samba. Na terceira vez na Polônia, levam em primeira mão as canções do próximo disco, Vários Brasis, a ser lançado após o retorno da viagem, promissor sucesso na próxima temporada da Varsóvia FM .

Vários Brasis é também o nome de uma das novas músicas, e traduz a sonoridade em que estamos apostando explica Dutra. Desta vez, ao contrário do primeiro CD, vamos abrir o leque de ritmos, enfatizando a diversidade musical do nosso país. Terá um pouco de maxixe, forró, ijexá, valsa brasileira, toada, além do choro e do samba que são nossa característica.

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