Mostra no Rio expõe a evolução do estudo do sistema nervoso
Braulio Lorentz, Jornal do Brasil
RIO - Para tentar fazer uma ligação entre arte e ciência, nada melhor do que 50 imagens inéditas e 20 fotografias sobre neurônios. A exposição Paisagens neuronais descreve a evolução do conhecimento a respeito do sistema nervoso e faz homenagem a Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), médico espanhol Prêmio Nobel de Medicina em 1906.
A mostra abre para o público na Casa da Ciência da UFRJ, em Botafogo, na próxima terça-feira e fica em cartaz até 15 de fevereiro.
As imagens mostram a estrutura do cérebro em comparação aos 20 desenhos de Ramón y Cajal, revelados por meio de facsímiles. O histologista é considerado o pai da neurociência moderna por ter alegado que o sistema nervoso tem bilhões de neurônios e que estes se encontram polarizados.
A hipótese marca a origem do neurônio como unidade individual do sistema nervoso e das sinapses. O modo como as 70 obras são dispostas na galeria é a prova das intenções em conectar ciência e arte.
Não há apenas explicações sobre a origem das figuras e o que representaram para a medicina. Pequenos textos de poetas, pintores, escritores, cientistas e intelectuais espanhóis descrevem as sensações proporcionadas pelas imagens.
A seleção e organização das imagens são baseadas na importância histórica e beleza de cada uma explica Antonío Martínez, diretor do Instituto Cervantes.
As fotografias têm um sentido artístico, porque recordam as pinturas da arte abstrata. É uma combinação entre a arte e a sensação das cores.
A mostra parceria entre o Instituto Cervantes, o grupo espanhol La Caixa, o Conselho Superior de Pesquisa Científica e a Brain Research Organization já passou por Barcelona, onde foi desenvolvida, Chicago, Nova York e São Paulo antes da chegada ao Rio.
As obras foram selecionadas entre 433 imagens enviadas por 62 laboratórios de neurociência de todo o mundo. A distribuição dos itens da mostra, que passa ainda por Salvador e depois retorna à Espanha, não é feita de modo cronológico.
A maioria das imagens do sistema nervoso é feita em laboratórios espanhóis. Essa exposição é única, por ter um caráter científico diz Martí.
Neurocientista e professora da UFRJ, Suzana Herculano é colaboradora da exposição. Garante que as imagens não vão atrair apenas os que lidam com a medicina.
Para a neurologista, as obras surpreendem pela diversidade das formas e cores: algumas, por exemplo, são luminosas e noutras sobressaem traços que exprimem simplicidade.
Há apelo para os dois lados, o estético e o da ciência conta Suzana.
A exposição é montada para agradar aos dois públicos com interesses diferentes. Cada uma das imagens tem frases associadas com detalhes técnicos e poemas que não necessariamente explicam a imagem.
A exposição conta ainda com visitas guiadas e vídeos sobre o assunto que compuseram a Mostra Ver Ciência. O espaço recebe apresentações de uma peça teatral baseada no livro As aventuras de um neurônio lembrador, do neurocientista Robert Lent, professor da UFRJ.
Especialistas integram debate sobre os diferentes estudos que envolvem o cérebro e a relação entre corpo e imagem, arte, ciência, afetos e sensações.
Outros tópicos são os estudos do sistema nervoso e sua relação com doenças como alzheimer e esquizofrenia; e coma beleza das imagens, obtidas com os métodos de pintura tradicionais e modernos.
É uma coleção que pouco se estuda, desde as técnicas mais antigas de histologia aos métodos contemporâneos que mostram as células de outras maneiras observa Susana.
