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Animador dubla coadjuvante que virou a sensação do filme 'Bolt '

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Brooks Barnes *, JB Online

NOVA YORK - Como desenhista do departamento de animação dos estúdios Walt Disney, Mark Walton normalmente labuta longe dos olhos do público. O cubículo em que trabalha, localizado em um canto remoto das instalações, é um ninho de rato de jornais velhos, coleções de lembranças de filmes variados e lixo.

Certa vez, o departamento de recursos humanos se meteu com ele, mas Walton venceu e um duende gigante ficou decorando sua mesa.

Por isso Walton, 40 anos, sentiu-se desconfortável pouco tempo atrás, quando se viu na antiga sala de Roy Disney, herdeiro do império.

Nervoso e agitado, ele concedia uma entrevista sob a atenta vigilância dos publicistas do estúdio. O assunto: Bolt Supercão, a nova animação da Disney sobre um cachorro que pensa ter superpoderes, que chega ao circuito carioca nesta sexta-feira.

No filme, Walton empresta a voz a Rhino, um hamster obeso e obcecado por televisão que tem tudo para roubar a cena do protagonista de quatro patas.

Vou ser um bicho de pelúcia

Descrito no roteiro como um trovão rolante por ser, ao mesmo tempo, super excitável e andar confinado em uma bolha de plástico para exercícios, Rhino é responsável pela maior parte das risadas do desenho.

Os espectadores têm gostado tanto do personagem que a Disney o tem destacado nas campanhas promocionais do filme. Walton está tão animado que mal consegue se conter. E não é pelo fato de um sujeito como ele estar ganhando mais atenção do que John Travolta, que dubla o cãozinho protagonista.

Quem se importa com fama e fortuna? pergunta, com os punhos cerrados, agitando-os no ar.

Eu vou ser um bicho de pelúcia!

Bolt Supercão é uma animação por computação gráfica que conta a história de um pastor alemão que viveu a vida inteira no set de um programa de TV em Hollywood, no qual o animal interpreta um herói canino que combate o mal e protege uma garotinha chamada Penny.

Seus dias de triunfo, no entanto, chegam ao fim quando, acidentalmente, um funcionário do estúdio o despacha para Nova York. Durante a tentativa de voltar para casa, Bolt encontra pelo caminho Mittens, um sarcástico gato de rua. Ainda convencido de que tem superpoderes, apesar dos deboches de Mittens, os dois se juntam na travessia do país e cruzam o caminho de Rhino, que fica encantando com a idéia de acompanhar sua estrela da TV favorita.

Byron Howard, que co-dirigiu Bolt com Chris Williams, fez testes com atores para encontrar a voz de Rhino, mas não encontrou ninguém melhor do que o colega.

Todo o entusiasmo que você vê em Rhino, no filme, é a persona cotidiana de Mark em ação elogia.

Não acrescentamos nada. Toda vez que ouvíamos uma nova gravação dele, nós morríamos de rir.

Como cada voz de um desenho é gravada separadamente e numa fase posterior do processo de animação, diretores costumam convidar secretárias e profissionais como Walton para as leituras iniciais do roteiro. Essa estratégia é de uma grande ajuda para encontrar o timing e o nível de humor corretos.

Como Walton já tinha participado de animações anteriores, em papéis bem pequenos, como em O galinho Chicken Little, ele se ofereceu para fazer a voz de Rhino. Os diretores gostaram tanto que continuavam a chamá-lo quando fazia mudanças nos diálogos.

Walton, por seu lado, continuou esperando pelo dia em que chegaria ao trabalho e descobriria que Danny DeVito ou outra celebridade havia ficado com o papel de Rhino.

Meses atrás, a dupla de diretores o convocou para uma reunião no estúdio. Walton pensou que era pra regravar algum diálogo defeituoso. Para sua surpresa, ele foi comunicado de que seria a voz de Rhino.

De repente, Howard e Williams se viram com um barbudo de de 1,80m muito animado nas mãos:

Eu pulava de alegria e gritava como uma garotinha conta Walton.

Tenho o vídeo para provar!

* do The New York Times