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Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Esportes - Copa do Mundo

Seleção brasileira é favorita ao título na Copa do Mundo, diz FGV

Jornal do Brasil GUILHERME BIANCHINI*, guilherme.bianchini@jb.com.br

O Brasil é o maior favorito ao título na Copa do Mundo. É isso que indica um estudo da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV EMAp), desenvolvido a partir dos gols marcados e sofridos em todas as partidas das 207 seleções ligadas à Fifa, nos últimos quatro anos. Segundo as projeções, a seleção brasileira tem 21,3% de chances de ser campeã na Rússia, seguida por Espanha — 13,5% — e Alemanha — 11,4%. “Os números mostram que será um torneio muito equilibrado”, revela o professor da FGV EMAp Moacyr Alvim, que coordenou o estudo com o professor Paulo Cezar Carvalho. 

O modelo matemático também estipulou o placar mais provável em todos os jogos dos oito grupos. Os resultados variam entre 1 a 0, 2 a 0, 2 a 1 e 1 a 1. “São os placares que podem gerar menos surpresas. Mas sabemos que surpresas não são tão raras assim no futebol. Espero que a Argentina perca de 4 a 0”, brinca Alvim. A projeção para os “hermanos” é de três vitórias por 1 a 0. 

Para o Brasil, os prognósticos apontam três vitórias, também sem sofrer gol, no Grupo E: 1 a 0 contra a Suíça, 2 a 0 contra a Costa Rica e outro 2 a 0 diante da Sérvia. A partir dos outros resultados prováveis na chave, a Suíça se classificaria em segundo lugar, com quatro pontos e vantagem de um gol de saldo sobre a Sérvia. 

O provável adversário brasileiro nas oitavas de final, com base no estudo da FGV, é a Suécia. Ainda segundo os cálculos, o Panamá é a seleção com menor probabilidade de avançar para o mata-mata — 13,2%. A seleção centro-americana está no Grupo G, junto com Bélgica, Inglaterra e Tunísia.

As projeções matemáticas, no entanto, não devem ser motivo para grande otimismo em relação ao desempenho da seleção brasileira na Copa. Em 2014, a chance de levantar a taça era de 28%, e o Brasil acabou perdendo por 7 a 1 da Alemanha, na semifinal. “Aconteceu aquele jogo atípico. E esquecemos que eram 72% de chance de não ganharmos o torneio. Neste ano, temos 82% de chance de não sermos campeões”, alertou Moacyr Alvim.

Sucesso em bolão 

Mesmo com alguns erros de cálculos, ligados à influência do imponderável no futebol, as previsões da FGV possuem bom índice de acertos. E para quem gosta de se aventurar nos palpites para o Mundial, vale seguir as dicas. “Usamos todos os placares gerados pela máquina na Copa de 2014 e terminamos em segundo num bolão com quase 200 pessoas”, garante Alvim.

O professor da FGV explica que o estudo parte de uma noção intuitiva para traduzi-la em linguagem matemática. E a inspiração para estabelecer as previsões vem de situações corriqueiras.

“Não é algo muito diferente do que fazemos ao bater papo com os amigos, tentando elencar melhores equipes, placar de uma seleção contra outra, intuitivamente. O que fazemos é olhar o histórico, para saber se ‘essa defesa é fraca, ‘o ataque é bom’. Tem uma pitada do que consideramos ser relevante para quantificar”, esclarece.

Dentre as surpresas ao analisar os dados das seleções, Alvim destacou o desempenho defensivo de Marrocos e Irã. Pouco cotadas no grupo de Espanha e Portugal, a classificação dos africanos ou dos asiáticos não é tão improvável assim, de acordo com o estudo: 36% e 34,5%, respectivamente.

* Com supervisão de Mauricio Fonseca



Tags: brasil, copa, futebol, rússia, seleção

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