Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Colunistas - Comunidade em pauta

Em meio a escândalos e polêmicas, é preciso ficar atento à questão da mobilidade

Jornal do BrasilMônica Francisco *

Em meio a notícias bombásticas do meio político, da polêmica na aprovação do IPTU na cidade do Rio de Janeiro e das devastadoras consequências da passagem dos furacões nas ilhas do Caribe, além da sempre atual e necessária discussão sobre a cultura do estupro, quase passa despercebido um assunto de extrema relevância: setembro chegou.  Não só porque neste mês de setembro a primavera virá, mas porque este também é o mês dedicado à mobilidade urbana. 

Não há como se pensar a mobilidade urbana sem pensar no custo das passagens, na relação do assunto com a segurança pública, com o acesso à cultura, ao lazer e na relação íntima desta temática com a saúde e a qualidade de vida da população, bem como sua própria relação com a cidade. 

Pensar e discutir mobilidade urbana e sua interface com a cidadania plena é necessário e urgente. Não se pode reduzir este assunto tão importante apenas ao uso da bicicleta e a ampliação de ciclovias, não é só isso é também isso. 

Mas se não ampliarmos a compreensão de todos e todas nesse sentido  e rompermos com os preconceitos, entenderemos que mudar a forma predatória com que a questão da mobilidade é tratada por aqui, certamente os avanços serão muito aquém dos esperados nesse tema. 

As questões de gênero não podem ser prescindidas e levar em conta as diversas ameaças à circulação das mulheres no espaço urbano precisa estar na ordem do dia. 

Os horários dos trens, as condições das estações no que se refere à segurança, acessibilidade e informação, a presença de sanitários com espaço para troca de bebês, por exemplo, precisa ser pensado. 

Isso também se aplicando ao metrô. Os espaços entre as viagens, penalizando moradores e moradoras de locais mais distantes, onde o tempo de espera dos ônibus e trens é muito grande, o que eleva o tempo das viagens e os riscos de exposição à situações de violência, aguardando em pontos desertos e mal iluminados. 

Como se vê, este assunto é por demais importante e precisa estar em um lugar de destaque na agenda das cidades e das cidadãs e cidadãos. 

*Colunista, Consultora na ONG Asplande, Pesquisadora e Membro da Rede de Instituições do Borel

Tags: artigo, borel, comunidade, monica, pauta

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