Jornal do Brasil

Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

Colunistas - Comunidade em pauta

A solução para os pobres virá dos próprios pobres

Jornal do BrasilMônica Francisco 

A semana começou com a barbárie instalada às portas das favelas do Jacarezinho, Manguinhos e Bandeira 2. As imagens das revistas em mulheres com crianças sendo aviltadas no e dos seus direitos, causou nada ou quase nada de indignação em grande parte da sociedade, mas certamente deixará marcas profundas na memória das crianças que já bem pequenas devem saber em lugar estão nessa sociedade.

A mesma sociedade que há algumas semanas mandou instalar singelos chuveirinhos na marquise para não abrigar sob ela a população de rua, que abomina refugiados, como se esquecessem do passado de seus ascendentes atravessando o Atlântico para chegar aqui, fugindo de incontáveis atrocidades e ainda, estimulados  por uma política de tentativa de embranquecimento da população, à semelhança do que ocorreu de maneira bem sucedida em outros países latino-americanos. 

Em um artigo escrito neste jornal, Leonardo Boff descreve bem o sentimento e o pecado social desta sociedade em que vivemos; seu asco e vergonha dos pobres e negros(as), daqueles mesmo que não conseguiu reduzir à frações e talvez por isso mesmo haja tanto empenho em de alguma maneira dar termo a ao processo de uma forma diferente, mas não menos injusta. 

Com isso, no Brasil da democracia mutilada, da classe média tradicional que não se identifica como, e com a classe trabalhadora, vivendo esquizofrenicamente a ânsia de integrar a elite e para isso distancia-se cada vez mais da luta por direitos, direitos que julga ter naturalmente, alimenta a máquina de moer gente e faz surgir uma sociedade que cada vez clama por mais violência para combater a violência e mais armas para acabar com as armas. Uma sociedade que tristemente avaliza uma guerra aos pobres e fecha os olhos para os crimes cometidos pelos poderosos e seus cúmplices. 

Neste ambiente já assustador, muitas vozes prenunciam o agravamento do que estamos vivendo, ou seja, ainda não chegamos ao ápice de todo esse doloroso processo, segundo alguns especialistas; queira Deus que estejam errados. Mas, todas as experiências em sociedade nos mostram que as crises econômicas geram cenários adversos e de extrema violência e repressão ainda maior. 

Mais difícil é pensar que se não chegamos no estágio mais grave, o que os mais vulnerabilizados por todo esse processo de espoliação social e econômica devem esperar?

Não resta dúvida em relação ao vaticínio do geógrafo Milton Santos, de que a solução para os pobres virá dos próprios pobres. O lançamento da #vidanasfavelasimportam, resultado da parceria entre pesquisadores da Fiocruz, Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e ativistas, encerra a semana como uma tentativa de sensibilizar uma parte da sociedade entorpecida pelo medo e pelo preconceito. 

* Colunista, Consultora na Ing Asplande e Membro da Rede de Instituições do Borel 

Tags: artigo, borel, comunidade, monica, pauta

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