Jornal do Brasil

Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

Colunistas - Comunidade em pauta

As tristes estatísticas da mulher negra no Brasil

Jornal do BrasilMônica Francisco

Na onda da comemoração do 8 de Março, não podemos deixar de lembrar das tristes estatísticas que demonstram a lamentável situação das mulheres negras e pobres no Brasil.

O relatório organizado pelo Geledés e pela ONG Criola, apoiadas pelo Fundo Baobá, nos apresentam a realidade do que é ser uma mulher negra hoje no Brasil.

A realidade fria dos números apresenta a realidade dura das relações raciais por aqui, onde a nossa "democracia racial" se conforma como uma excelente camuflagem para a crueldade do tratamento dado a essas mulheres. 

Segundo o relatório, o assassinato de mulheres negras aumentou em 54% no decorrer de uma década, enquanto diminuiu o índice entre as mulheres brancas(9,3%).

Nas seis maiores regiões metropolitanas do país (comparando com dados do Ipea), as mulheres negras são 46,7% vivendo do trabalho informal.

Ou seja, a dificuldade no mercado formal de trabalho brasileiro nas grandes metrópoles é uma dura realidade. Assim, percebemos que há uma clara rejeição às mulheres negras nos postos oficiais de trabalho, o que coloca essas mulheres entre o grupo mais pobre, vivendo em áreas de menor acesso à infraestrutura adequada (saneamento, acessibilidade) e vivendo em contextos de extrema violência.

Atualmente as possíveis reformas, principalmente a da Previdência, que discorre sobre a idade mínima paritária para homens e mulheres, vai agravar ainda mais essa situação se aprovada, porque as mulheres negras e pobres serão mais ainda duramente afetadas.

Poderia ainda ressaltar a morte materna alarmante dessas mulheres, a esterilização, a violência obstétrica, a demora em consultas de alta complexidade e vitais, como as destinadas a pacientes com câncer, a violência doméstica, o estupro, o encarceramento, entre outras tantas questões sobre esse tema.

Mas vale dizer que apesar de tudo, seguimos resistindo, lutando, afirmando nossa origem, cor, cabelos e signos que nos dão a cada dia a certeza que não podemos e não devemos perder a ternura jamais.

*Colunista, Consultora na ONG Asplande e Membro da Rede de Instituições do Borel 

Tags: Artigo, Borel, comunidade, monica, pauta

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