Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Pezão faz campanha na Rocinha enquanto morador sofre com a violência 

Jornal do BrasilDavison Coutinho

Enquanto o governador Luiz Fernando Pezão e outros candidatos promovem campanha na Rocinha, na Zona Sul do Rio, os becos da comunidade acordaram nesta terça-feira (26) com o terror e medo dos confrontos armados. Eram por volta das 6h30 da manhã quando os alunos estavam indo para escola e os trabalhadores indo para luta pela sobrevivência quando começou o intenso tiroteio seguido de bombas.

Moradores relataram nas redes sociais o medo e as localidades em confronto. O governador Pezão, candidato oficial, manteve a visita à comunidade. Moradores reclamam da violência local. 

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O líder comunitário William de Oliveira desabafou sobre sua indignação com relação à presença do governador em busca de votos no meio de um dia de terror: “Amigos, chega de demagogia... Enquanto os moradores das áreas atingidas pelas balas choram seus prejuízos, agora, na via Ápia da Rocinha, acontece uma grande festa para receber aqueles que deveriam nos dar seguranças. Aqueles que recebem dinheiro para defender o governo aqui na Rocinha deveriam levar o Pezão e os candidatos de fora, que eles apoiam, para ressarcir os prejuízos dos moradores da Rua 2 e adjacência e dos pais de famílias, que perderam seu sossego.”

"A segurança aqui na Rocinha é bem o nível dele. Afinal de contas, nós temos uma Rocinha 'merdificada' com o seu sistema de segurança. UPPalhaçada, onde a UPP Social é uma ONG. E não só aqui. As favelas não têm educação e cultura. Os moradores daqui estão doidinhos para perguntar para ele: 'Onde está Amarildo?'", desabafa o líder comunitário Rafael Matoso.

Veja vídeo publicado no Youtube com flagrante do tiroteio:

Os moradores estão indignados com a presença do Pezão na comunidade, sabendo que ele é quem defende a pacificação que não existe. A caminhada dele, hoje, é na Via Ápia e estrada da Gávea, ou seja, está livre dos perigos que convivemos diariamente.  Será essa a favela pacificada? 

E ainda sim com toda violência e UPP a Rocinha não recebe os serviços básicos necessários de um bairro. 

* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel emdesenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade.

Tags: Artigo, comunidade, Coutinho, davison, pauta

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Comentários

1 comentário
  • davi emilio

    Ele já está investindo mais na segurança, as pessoas tem que ter paciência!

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