Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Eleição: nosso futuro está nas nossas próprias mãos

Jornal do BrasilMônica Francisco *

As eleições já estão aí. Logo logo, outubro nos surpreende e vamos às urnas. Enquanto isso não acontece, temos que estar como diz uma linda amiga, atentos e fortes.

Já escrevi aqui há alguns meses que a cidade está em disputa. Nosso futuro está nas nossas próprias mãos, sim nosso futuro como moradores desta cidade, deste estado e deste país. Eu sei que você sabe disso, mas é sempre bom lembrarmo-nos mutuamente o tempo todo disso.

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro se  mostrou mais uma vez distante de tudo aquilo que pretendemos dela e daqueles que a representam. Primeiro a CPI dos ônibus deu no que deu. Em uma manobra indecente a caixa preta continuou lacrada e o povo submetido ao que há de pior no transporte público. Para quem não acredita é só parar um pouquinho em algum ponto de ônibus da Zona Oeste ou da Zona Norte. Sem falar no metrô.

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Agora, não se consegue instalar a CPI para investigar Betlhem, o arauto da ordem e da decência urbana. Podem parecer fatos isolados, mas não são. A  cidade é dos cidadãos, todos e todas. Devemos disputá-la e não podemos fazê-lo sem controle social, sem estarmos atentos a tudo que nos diz respeito como cidadãos e cidadãs.

A cidade está se transformando em uma mercadoria cara e de luxo. A urbanista Raquel Rolnik chama a atenção para o rumo que as cidades estão tomando nesse sentido e dificultando a vida de milhões de pessoas, impactando negativamente suas vidas, principalmente as mais vulneráveis.

Elas, as cidades, estão se tornando cada vez menos para todos e cada vez mais para poucos, e estes poucos, são os que podem pagar por ela.

É importantes estarmos atentos para as eleições nacionais, mas é na cidade que a disputa se dá, é nela que temos que forçar o diálogo e intensificar o controle social.

A Câmara e a Assembléia Legislativa devem estar em constante vigilância. Mais do que nosso dinheiro, a nossa vida como moradores deste estado e desta cidade estão sendo decididos todos os dias e nós precisamos nos apropriar dele. 

É preciso estar forte para não nos deixarmos levar por fábulas que na concretude da vida cotidiana se dissolvem facilmente. Precisamos crescer, gerar empregos, prestar atenção nas favelas e nos impactos das políticas de infraestrutura e segurança nestes locais.

A vida continua escassa nestas áreas. Um estado extremamente policial, onde a a cada dia se clama por mais segurança e mais se endurece nestas áreas e se penaliza jovens negros e pobres como o Rhuan do Alemão, que sobreviveu e fique-se por isso mesmo, embora a marca nas costas não deixe dúvida de que se atira pra matar.

Não precisamos mais de políticas eleitoreiras e que se perdem com o tempo. A prova são os 33% que não querem votar. Precisamos de propostas claras, factíveis e que não se olhe a favela com o olhar ultrapassado, ela não é mais a mesma. No mais, Alea jacta est, a sorte está lançada!

       "A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Tags: coluna, Francisco, JB, monica, texto

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