Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Esquecemos de nos indignar com as notícias que vêm aqui do nosso quintal

Jornal do Brasil*Mônica Francisco

A cabeça anda embaralhada, assim como quem está em um mundo onde a compreensão de tudo ou pelo menos de algumas coisas custa a chegar. Como escrevi há alguns dias, um ambiente quase Kafkaniano em uma ambiente noir.

Um sufocamento de quem quer dizer tudo em um só repente. As cenas diárias dos mortos na Palestina, quase devastada. O ebola castigando países africanos e produzindo mortes por segundo ante o olhar letárgico do mundo.

Parece que o mundo está menos bonito. Sou otimista, não pensem o contrário. Talvez por isso aguarde ansiosa que em algum momento tudo isso seja revertido, quase em um suspense cinematográfico onde no meio do caos e da quase dizimação de todos, surge a salvação.

Ou lutamos para permanecermos vivos, ou em dado momento poucos de nós sobraremos. No tabuleiro mundial novos arranjos acontecem de tempos em tempos e quem era amigo vira inimigo e vice-versa.

Só não podemos esquecer que neste jogo, o mais importante bem e a maior dádiva de todas está por um fio, a vida. Assistimos entre indignados e desolados a todas estas tristes notícias que vem do outro lado do Atlântico.

Só esquecemos de nos indignar com as notícias que vêm aqui do nosso quintal. Não podemos mais tolerar que centenas de jovens negros sejam mortos todo dia. Não podemos achar que estamos bem com uma população encarcerada que é a quarta do mundo.

Devemos nos indignar de termos índices alarmantes de crianças e adolescentes que não vão chegar à lugar algum, é isso não vão mesmo. É preciso encarar isso de frente.

Estamos em meio ao processo eleitoral, cada vez mais desgastado, menos legítimo do ponto de vista da juventude e parte até dos mais maduros. Incertezas à parte, fico um pouco inquieta com o futuro, que como já disse o compositor é uma astronave que tentamos pilotar, que sabe-se lá onde vai nos deixar, porque não tem tempo de esperar e nem tão pouco piedade.

Incertezas, desconfianças, muitos até perdendo a fé, o que no meu modo de ver e pensar avida é o mais trágico. O livro bíblico de Hebreus diz que fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e convicção de fatos ou daquilo que não se vê. Pois bem, se os fundamentos ficarem cada vez mais superficiais e instáveis em todas as instâncias, é hora de parar o mundo como dizem por aí e descer.

Só tem um probleminha ou uma questão.Descer aonde?

p.s. Só para constar quero dizer que foi um alento a entrevista da ativista Angela Davis à TV Brasil esta semana. Quem não viu, corre e vai procurara na internet.

 "A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Tags: Artigo, coluna, Francisco, JB, monica

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