Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A gente quer é ser um(a) cidadão(ã)!

Jornal do BrasilMônica Francisco *

Fomos às ruas, pedimos e continuamos a pedir uma mudança drástica na forma como nossa política de estado é desempenhada, como as nossas instituições são conduzidas de forma a não contemplar de fato os anseios democráticos pelos quais tantos compatriotas lutaram nos anos de ditadura, na luta pela redemocratização, eleições diretas e que tantos outros contribuíram na construção da nossa nova constituição, a chamada cidadã, e que nós gritamos nas ruas.

Quando temos a possibilidade de iniciar um processo de mudança real nestes dias, com a efetivação como política pública a participação, tão cara para todos e todas nós que queremos ter uma radicalização de nossa tão jovem e carente de acertos, democracia, nos deparamos com a campanha avassaladora contra o Plano Nacional de Participação.

O que atemoriza a parcela que é contra esta ação? Seria a presença do Brasil real tão nociva para a nação? O que de fato se esconde por trás dessa ferrenha campanha contrária a tal política de estado?

Seriam nossas raízes escravocratas, senhoriais, patriarcais e patrimonialistas? Seria o medo de uma elite política desesperada pelo que poderia resultar desta "invasão"?

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Muitos podem ser os argumentos, como as questões técnicas, a viabilidade, a forma, mas temos sido tão contemplados com os conselhos milhares que temos, onde a participação popular é tão importante e tem contribuído tanto na construção de políticas. Errar faz parte da aventura de viver, se errarmos, nada melhor do que avaliarmos e caminharmos para o aprimoramento do processo.

O que não podemos é permitir que setores radicais e avessos ao que temos de melhor, o povo, impeçam nosso país de caminhar rumo à maturidade que tanto cobramos. Não se caminha sem dar o primeiro passo, ainda que trôpego. 

Nosso país não pode crescer somente no que se refere ao econômico, e toda e qualquer medida que se movimente no sentido de avançar no crescimento e amadurecimento de nossa democracia deve ser defendida. Não se trata de quem é o governante da vez, se trata daquilo que vai perpassar o humano, o rumo de nossa nação.

Não podemos continuar com a cultura de olhar para outros e copiar seus modelos, temos de nos acertar , de nos encontrarmos como nação, como estado democrático de direitos. Temos que tornar mais permeáveis à presença e participação  popular nossos governos estaduais e prefeituras, e episódios como a CPI dos transportes não nos serão impostas gola abaixo, vigas não sumirão com tanta consenciosidade, negociatas e outras tantas ações desrespeitosas para não dizer criminosas contra os cidadãos e cidadãs deste país, pelo menos terão um pouco mais de dificuldades para. Termino com uma das mais importantes cláusulas de nossa linda e complexa constituição federal:

"ÍNDICE TEMÁTICO

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição .

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Tags: coluna, Francisco, JB, monica, texto

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