Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Ação eficaz nas favelas, para além do controle militar, é necessária

Jornal do BrasilMônica Francisco*

A realização do encontro intitulado Rede Comunidades em Pauta é uma ousadia e, ao mesmo tempo, uma grande sacada do JB. Ousadia pelo fato de pretender-se um jornal que de fato dá voz às favelas e a suas pautas e sacada porque sai na frente em promover um encontro em suas dependências com a favela por ela mesma, sem mediação, retoque ou qualquer filtro que possa dar uma outra interpretação a sua "fala".

Claro que os que participaram não se arvoraram em arautos de todas as favelas, bem como os colunistas que animaram a discussão o podem e o querem ser. A questão é que, em sua multifacetada existência, algumas questões são comuns às favelas do Rio de Janeiro, bem como a todo o resto da cidade, e o assunto da noite não poderia ser menos instigante para o encontro piloto: Segurança Pública.

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Mas muitas outras questões vieram à reboque da principal e serviu para evidenciar o que talvez você já esteja cansado ou cansada de saber ou, se não sabe, pelo menos desconfiava. A velha tática de mudar para manter tudo igual, a infraestrutura física e social, onde como diz muito bem como sempre em suas ponderações, o jornalista e diretor do IBASE Itamar Silva do Santa Marta, a favela sofre com as descontinuidades e precariedades das intervenções estatais.

É preciso ampliar o debate e mais do que isso, criar ou fortalecer os meios de pressão para que se haja uma ação eficaz na atuação do poder público nas favelas, para além do controle militar. Segurança Pública como um conjunto de ações que dizem respeito aos órgãos públicos de segurança, mas também à sociedade civil, no e com o objetivo de  manter um permanente sentimento de segurança coletiva.

É na garantia dos direitos e no exercício pleno da cidadania que as ações da segurança pública se traduzem, não no controle dos pobres e no aviltamento do direito, na classificação racista de indivíduos e na produção de uma série de injustiças e violações mais atrozes do que as que se propõe à combater e prevenir.

Muito bem colocado por todos, a redução desta questão maior à uma ação conjuntural como a Unidade de Polícia Pacificadora é no mínimo simplista para não dizer inocente. Daí reafirmo minha teoria na base da constatação, a favela de fato tem pautado as discussões mais importantes nestes tempos tão estranhos. Habitação, saneamento, mobilidade, gentrificação, segurança pública, direitos sociais, cidadania e isso porque ainda não alcançou plenamente nenhum deles.

Que venham os próximos com mais participação! 

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

* Mônica Francisco é representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Tags: coluna, Francisco, JB, monica, texto

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