Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A gente quer viver uma nação

Jornal do BrasilMônica Francisco *

A música do Gonzaguinha não sai da minha cabeça. Sabe quando vem não sei de onde e fica? Os versos martelando e voltando ao menor sinal de distração, é assim. Não acho que seja por acaso, ou até pode ser, mas nos vem em momento oportuno, ou pelo menos pra mim. "A gente quer viver a liberdade, a gente quer viver felicidade. A gente quer viver pleno direito, a gente quer viver todo respeito, a gente quer viver uma nação,a  gente quer é ser um cidadão, a gente quer viver uma nação."

Simples e contundentes palavras que nos caem com uma luva, porque ainda não conseguimos viver pleno direito, pelo menos para nós que estamos aqui no subterrâneo, vivendo a duras penas o Brasil real, e desejando ainda ser uma nação, ou pelo menos de fato vivê-la.

A voz do magrelo se torna nossa. Quando lemos e ouvimos de muitos pesquisadores e especialistas que a classe trabalhadora que vive nos grandes centros urbanos, a sua margem melhor dizendo, ou em favelas não vai ao médico, nós que estamos aqui embaixo podemos confirmar isso.

Mônica Francisco
Mônica Francisco

A demora, o descaso, o desaparelhamento da saúde, o racismo institucional, se constituem em um grande obstáculo e faz com que o pacato cidadão só busque o médico quando a situação já se mostra grave. E aí a gente já sabe.

A situação caótica vivida pela população mais vulnerável produz um sofrimento  infindável. Na era de avanços impensáveis há pouco tempo atrás na tecnologia, morre-se de tuberculose. Morre-se dando à luz por falta de atenção.

Estamos ouvindo a dificuldade que o povo de São Paulo vem passando por conta da escassez de água, ouvi um jornalista falar com grande assombro que uma família havia passado três dias sem receber água na torneira e pensei quando fiquei um ano sem água, e em tantas outras famílias que também não têm esse privilégio em muitas das nossas favelas e periferias há muito tempo.

Mas a gente continua na torcida, no desejo, na vontade que nos impulsiona e nos leva à ação. Vamos batalhando para conquistarmos e nos tornarmos, de fato, aquilo que já deveríamos ser, ter e viver por direito.

."A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Tags: Artigo, coluna, comunidade, JB, monica, pauta

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