Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A Rocinha pede socorro. Pacientes não têm medicamentos para tuberculose

Jornal do BrasilDavison Coutinho *

A Rocinha tem o maior número de casos de tuberculose do estado. O número é superior à média de casos em todo o Brasil. O que caracteriza essa situação são as condições precárias de moradias. São centenas de casas amontoadas, sem ventilação e com proximidade a valas e esgotos abertos, sem saneamento básico. 

A grande luta dos moradores e lideranças é a busca pelo direito ao saneamento básico na comunidade. Algumas obras do PAC 1 foram feitas e a proposta do PAC 2 está em curso, porém o saneamento ainda não foi solucionado e nem mesmo iniciado um projeto que privilegie esse problema.

Davison Coutinho
Davison Coutinho

Como resultado, temos um dos maiores índices de tuberculose do Brasil e perdemos muitos moradores que sofrem com a doença. Com os recentes investimentos no tratamento da doença, após a criação da UPA na Rocinha a doença conseguiu ser diagnosticada de maneira mais rápida e o tratamento tem sido iniciado de maneira mais eficaz, graças ao desempenho dos Agentes de Saúde local. 

O problema tem sido o descaso do Governo e da Prefeitura em enviar os medicamentos para os pacientes em tratamento. Cada atraso faz com que os doentes necessitem iniciar novamente o tratamento.  A líder Comunitária Rita Smith, ativista da comunidade, denuncia “Se contarmos as faltas por falta de medicação na Rocinha e no Rio, chegaremos a 20 dias sem os pacientes tomarem a medicação. Em 30 dias sem tomar medicação, o paciente leva abandono e recomeça o tratamento do zero, antes que nós declaremos abandonados pelos nossos governantes e termos que zerar, pagando por uma falta que não é nossa e sim pela negligência do Estado/Brasil com a saúde.”

A Rocinha pede socorro a todos esses pacientes, a tuberculose é uma doença transmissível por via aérea, que mata milhares no Brasil e no mundo. O Brasil não pode ser o país da copa, enquanto pessoas morrem sem tratamento necessário para as doenças. 

*Rita Smith é ativista e moradora da favela da Rocinha, presidente do Grupo de Apoio aos Pacientes e Ex-pacientes de Tuberculose da Rocinha (Gaexpa)

*Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio

Tags: coluna, Coutinho, davison, JB, texto

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