Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

As favelas e o discurso equivocado das UPPs

Jornal do BrasilMônica Francisco *

As favelas ainda esperam (ansiosamente e com cada vez mais descrédito) o respeito que merecem como cidadãos que são, embora o que se veja é a negação contínua e deliberada desta condição.

As propostas apresentadas, os projetos anunciados (e não concretizados). As ações e projetos que tiveram início com a "febre" da pacificação e que arrefeceram com o passar do tempo.

A verdade é que as conquistas que se pensavam a caminho ficaram no "será". Vive-se uma deficiência, ineficiência e descaso em relação a políticas sociais, serviços estruturantes como o fornecimento de água e luz.

Há um discurso completamente equivocado de que o favelado não quer pagar pelos serviços como qualquer outro cidadão, em qualquer outra área da cidade. Mas o que se percebe é que a oferta destes serviços nunca se propõe a ser efetivada pelas vias oficiais do direito, mas pela barganha suja e inescrupulosa do voto.

É preciso aproximar mais a lente no olhar para a favela e ter a coragem  de ouvir e a humildade de reconhecer na solução ou soluções propostas pelos favelados uma saída, e não vincula-las à manipulação por parte de quem quer que seja.

Está na hora de encarar a mudança pela qual vem passando as favelas no Rio de janeiro, ou melhor, a população que habita as favelas, ainda na era pré UPP. Já escrevi aqui e reitero que é um tiro no pé a tentativa de colar um discurso de que práticas e inciativas vindas  das favelas e seus grupos, indivíduos  ou organizações, sejam alvo de qualquer outra iniciativa que não a consciência de seu lugar e papel na sociedade.

Que nossos governantes possam meditar nas palavras de Santo Agostinho de que não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia.

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG Asplande.

Tags: Artigo, coluna, Francisco, JB, monica

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