Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Quantos pedidos de desculpas o governador ainda vai fazer?

Jornal do BrasilDavison Coutinho*

O preconceito com os moradores de comunidades baixa renda, é o fator determinante de toda essa violência que estamos vivendo e que vem tirando tantas vidas. Quantas falhas e quantos erros ainda serão cometidos com a pacificação e quantas vidas ainda serão tiradas com tanta crueldade.

Davison Coutinho
Davison Coutinho

Hoje é família de Claudia que vive o grande desespero do luto e da saudade de uma mulher guerreira e dedicada a família, ontem, foi uma grande família que ainda aprende viver sem a presença do ajudante de pedreiro, Amarildo.

E quantas mais desculpas serão pedidas pelo governo pela morte de tantas vítimas inocentes? É realmente ridículo e hipócrita os comerciais que estão sendo exibidos na televisão sobre as comunidades. Tudo uma grande mentira, é realmente muita cara de pau se falar de paz nas favelas do Rio de Janeiro, o que estamos vivendo são meses de guerra e terror, já não sabemos o que esperar de tanta violência.

Antes, todos nós moradores, tínhamos o sonho de ter uma favela feliz e de paz, hoje, o medo fez com que muita gente tenha como o maior sonho, o de sair da favela e ter um lugar de paz para criar seus filhos e ter uma vida digna.

A violência continua, os serviços públicos continuam ineficazes, a falta de agua é constante, o saneamento básico é uma desafio, as escolas são precárias e as oportunidades para os nossos jovens continuam não existindo. Para uma pacificação verdadeira e eficaz, é preciso de educação, é preciso fortalecer o conhecimento e valorizar a cultura para os moradores e oferecer os serviços públicos com eficácia.

Afinal, quanto vale uma vida, existe indenização que pague a dor da perda de uma mãe e de um pai ou de um filho? Sabemos que não há preço que pague pela vida de quem amamos.

Continuamos na luta, na fé e na esperança pelo fim da violência nas favelas de nossa cidade.

Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.

Tags: continuam, existindo, jovens, não, para, uma pacificação, verdadeira

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