Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

É preciso consolidar as políticas sociais

Jornal do Brasil*Mônica Francisco*

Nosso país tem tantas demandas sociais reprimidas que por mais que tenhamos obtido alguns  avanços significativos nos últimos anos, é urgente a consolidação de políticas essenciais com mais  eficácia, porque leis e diretrizes já existem, mas a prática anda a quilômetros de distância.

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Não sei o que devemos esperar neste ano eleitoral, sério, não sei. Na favela as práticas anciãs resistem, releituras da velha política da bica d"água ainda vigoram, com mais enfrentamento e resistência, mas ainda existem.Os currais eleitorais, todos devidamente catalogados e cuidados com competência por capatazes baratos, a inda são realidade.E mais uma vez o direito é transformado em benesse e mais um coronel assume e oprime o povo que lhe deu consentimento para representá-lo e consequentemente ignorá-lo ou oprimi-lo, é o jogo.

São acordos, acertos, barganhas e nada de se mudar ou consertar o que de fato importa. Uma das questões, pois como mencionei são muitas, que compartilho com vocês,refere-se às políticas para juventudes, sim assim no plural mesmo, pois são muitas as nossas juventudes. Como moradora de favela, sei bem o que é conviver com uma faceta delas, a juventude que pode ser descartada, a que pode ser perdida, a que não conta.

Recentemente, mencionei em um de meus artigos que o Caminho Melhor Jovem, programa do governo do Estado, se propunha a caminhar, desculpem o trocadilho, de maneira diferente. Acreditei, botei fé, porque sei que precisamos de ações que viabilizem uma vida digna à nossa juventude mais vulnerável acreditar em mecanismos que ajudem à estancar a morte destes jovens, a evasão dos espaços de formação, ainda que precários, mas a ruptura destes jovens com estes espaços é uma tragédia. Constitui-se em um processo desumano demais, se é que existe gradação para desumanidade, mas fica como ênfase ao absurdo.

Como acreditar que há de fato o desejo da esfera pública e seus agentes de trabalhar para que nossa juventude que vive nas favelas e periferias de fato possa ter um mínimo de dignidade e acesso à uma cidadania real?

Não sou especialista em políticas para juventude, nem tão pouco trabalho com este tema diretamente.Mas convivo com muitos jovens, observo outros tantos, escuto mais uns outros tantos e percebo que a palavra recorrente é desrespeito e falta de vontade política em de fato fazer o que se deve. Acho que eles não estão falando besteira.

É preciso começar à ouvir mais estes meninos e meninas, eles de fato tem muito à ensinar.Jovem pobre tem direito humano de sonhar, pelo menos isso, de tentar achar um brilho no futuro. Não acredito muito que teremos grandes mudanças no cenário político, pois muita gente vai se reeleger, isso é fato, e o pior gente que não tem compromisso com gente e principalmente com agente da favela.

Á máquina pública e seus agentes, sensibilidade, a conjuntura mostra que está cada vez mais na ordem do dia essa necessidade. respeito aos jovens que se quer alcançar e respeito aos jovens que são a ponte para a realização das ações jun to à outros jovens, principalmente nos espaços marginais. Muita atenção, porque a favela e seus atores não são mais os mesmos.

Enquanto o voto for obrigatório a luta vai continuar ferrenha. Mas qual gladiadores, não temos pra onde correr, na hora da luta o negócio é lutar, tem jeito não.

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e aluna da Licenciatura em Ciências Sociais pela UERJ.

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