Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Rocinha: cultura na favela não é prioridade para os governantes

Jornal do BrasilDavison Coutinho*

A favela da Rocinha, apesar de na maioria das vezes possuir uma imagem associada pela mídia aos problemas com o crime e com o tráfico, é uma local onde a cultura e arte se fazem muito presente na vida dos moradores. Nessas ruas e vielas tudo vira palco para a arte e cultura.

São diversos os grupos que se organizam para manifestar a arte e cultura dentro da comunidade, dança, teatro, música,artes plásticas, artesanato, enfim uma infinidade de moradores que levam no idealismo o desejo de transmitir o conhecimento para todas aquelas crianças e jovens que vivem com todas as precariedades oferecidas pela vida em uma favela.

Os participantes, entre eles jovens e crianças expressam no rosto toda a alegria e carregam no olhar o desejo de um futuro melhor através da arte. Os incentivadores da cultura, professores e instrutores da arte enfrentam todos os desafios na busca de transformar os jovens, tornando-os verdadeiros cidadãos através saber aliado ao fazer.

Nem mesmo todos os benefícios oferecidos pela arte e desenvolvimento cultural na transformação das vidas dos moradores de favela, conseguem fazer com que o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio apresentem a sensibilidade vontade em ajudar em elevar as produções culturais desenvolvidas por estes grupos, que são independentes e não recebem nenhum incentivo ou apoio público.

A casa de cultura da Rocinha há anos se encontra abandonada, os grupos precisam buscar com recursos próprios ou através de doações possibilidades de manterem as aulas em espaços improvisados.

É preciso que se tenha investimentos e políticas públicas na cultura e educação. Não se transforma favela em bairro, nem se reduz a violência sem capacitação e oportunidades para os moradores, a cultura é inerente ao homem e não oferecer a chance dela ser disseminada é um verdadeiro crime contra a população.

Prefeito, Governador e demais autoridades, as nossas prioridades são outras, não adianta mais oferecer o que vocês consideram necessário. A favela tem sua base rica e fértil na produção cultural e tem seu valor na vida de muitas pessoas.

*Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio

Tags: crime, doações, favela, Governador, possibilidades

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