Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A Copa de todo mundo, menos para os brasileiros

Jornal do BrasilWalmyr Júnior*

Um dos patrocinadores da Copa do Mundo (Coca-Cola) tem como slogan "A Copa de todo mundo". Essa falácia está batida, não são todos e muito menos boa parcela da população que irão aos estádios assistir os jogos. A margem de acesso aos estádios está equivalente a menos de1% da população brasileira. Mas sabemos que não são só os brasileiros que vão ocupar as cadeiras dos camarotes e arquibancadas das novas ‘arenas’. A Copa é de todo mundo, mas não podemos afirmar que é de todos os brasileiros.

Nós, moradores da favela, dificilmente teremos possibilidades de comprar um ingresso para assistir a uma partida da Copa do Mundo nas arquibancadas do ‘Novo Maracanã’, quiçá ficar em um camarote. O que nos resta é assistir aos jogos pela televisão e esperar que a realização da Copa ao menos deixe um legado real para a população, mas podemos descrever que os moradores das favelas do Rio de Janeiro vão ficar a ver navios e esperando a próxima Copa no país para esse legado acontecer.  

Acredito que teríamos as melhores condições para realizar a Copa do Mundo aqui no Brasil. Poderíamos sim estimular a economia, alavancar o turismo, melhorar a formação das pessoas, expandir e aperfeiçoar a infra-estruturar da cidade. Entretanto o cancelamento das obras de mobilidade urbana, a mercantilização do esporte com altos preços dos ingressos nas ‘arenas’, os inúmeros atrasos das obras, a falta de acesso que a população terá aos estádios, sustentam o ‘mico’ que está sendo a preparação da Copa do Mundo no Brasil

Além desses problemas, vemos que a única relação que aqueles que fazem a gestão da produção da Copa do Mundo no Brasil quer ter com a população é na possibilidade de em um curto tempo de espaço, oferecer um sub-emprego como suposto legado.

Segundo o portal da Copa www.copa2014.gov.br “o programa de alimentos e bebidas da Copa do Mundo criará 12 mil empregos temporários nos bares e lanchonetes que funcionarão nos 12 estádios do evento”, me pergunto se esses trabalhadores terão de fato uma garantia de desfrutar os supostos legados da Copa.

Outro drama que vemos nessa análise de conjuntura,  é o desejo de utilização desses espaço que deveria ser público ou no mínimo de fácil acesso. Na contramão de nosso desejo vemos claramente que este modelo de cidade e de Copa do Mundo está o desejo dos outros. “Esses outros Os outros são aqueles com interesses pessoais, de lucro, e, consequentemente, de privatizações, fazendo nossas cidades cada vez mais mercantilizadas e excludentes.” Descreveu Clarissa Alves da Cunha Militante da MMM (Marcha Mundial das Mulheres) no artigo publicado pela Revista Fórum.

Segundo o Deputado Federal Romário em sua entrevista à Deutsche Welle as obras da Copa serão "o maior roubo da história do país (...) as obras podem entrar no regime de obras emergenciais, quando são feitas sem licitação. Aí o céu é o limite. Quem ganha com isso são os políticos corruptos e as empreiteiras, construtoras”

  Romário que defende a instalação da CPI da CBF no Congresso descreve a existência de provas que possam abrir o inquérito:

“Contratos suspeitos que indicam enriquecimento ilícito. Não podemos admitir que uma entidade que representa o Brasil mundo afora não seja exemplo de idoneidade. Não entendo qual o receio, há argumentos de sobra para a imediata instalação da CPI. O momento é oportuníssimo. O Brasil, que se prepara para receber o Mundial de futebol, estaria dando ao mundo um exemplo de austeridade na fiscalização das instituições que prejudicam a imagem do nosso futebol.”

Pego onda na idéia de saber que copa que vamos ter no Brasil. Isso por que a Copa vai acontecer, não tenho duvida disso, mas me questiono ainda o porquê muitos afirmam que a copa é para todos, sendo que não é, e não será em terras brasileiras.

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: CONGRESSO, inquérito, legado, moradores, políticos, provas

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.