Jornal do Brasil

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Abadá de carnaval na Rocinha será colete à prova de balas

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A vida em uma das maiores favelas da América Latina não está fácil. O clima de insegurança já faz parte da vida dos moradores que não se conformam em ver a Rocinha de tal forma. Moradores antigos e lideranças afirmam que nunca viveram a violência que vivemos hoje com a favela pacificada.

A insegurança é muito grande, e os moradores usam as redes sociais para alertarem sobre os tiroteios e lamentarem a violência. A alegria do carnaval se perdeu e moradores compartilham na internet uma foto montagem de um colete à prova de balas que seria o abadá de carnaval da Rocinha denunciando a violência que estamos vivendo.

Davison Coutinho
Davison Coutinho

A Rocinha foi pacificada há mais de dois anos e o sonho de um lugar de paz foi trocado pelo pesadelo de se viver em um local onde os tiroteios já fazem parte da rotina dos moradores, que apesar de terem sido criados na favela, hoje, sonham em se mudar, com suas famílias para um lugar seguro.  Infelizmente, tenho que reconhecer que nos últimos anos a vida na favela piorou, hoje, não é seguro andar por algumas partes do morro, o morador precisa ficar preso dentro de sua casa para diminuir o risco de ser atingido por uma bala perdida.

“Há alguns anos boa parte dos moradores da Rocinha não queria sair da comunidade onde foram criados. Hoje a situação se inverte, com os recentes tiroteios, falta de lazer, especulação imobiliária; a maioria das pessoas quer sair. A insegurança de sairmos à noite na comunidade e não sabermos se retornaremos cresce mais a cada dia. Cada dia que passa abdicamos um pouco mais, pois segurança mesmo só temos mesmo dentro de nossas casas, trancados e muitas vezes nem assim nos sentimos seguros. Se existe essa tal de “pacificação” – Ato ou efeito de pacificar, segundo o dicionário – Ela não está por aqui.” Desabafa Denis Neves, estudante e idealizador da manifestação organizada pela Rocinha em 2013.

Abadá de Carnaval na Rocinha
Abadá de Carnaval na Rocinha

E para que se deu a pacificação? Era para que o governo fizesse o papel social dentro da comunidade, no entanto, continuamos com os mesmos problemas de lixo, valas, transporte, moradia e tantos outros. Continuamos sem investimentos na educação e lazer para as crianças e jovens da comunidade que não tem a oportunidade de aprenderem uma profissão e terem uma vida honesta. A Favela nunca vai se transformar apenas com policias, UPP e delegacia. Precisamos é de educação, formação para nossos jovens, oportunidades, moradia de qualidade, saneamento básico, limpeza, transporte digno, precisamos de respeito.

A pacificação nunca será verdadeira enquanto for permitido que as pessoas convivam em um lugar com tanta pobreza e descaso, e enquanto o Governo não fizer ao papel dele com seriedade nas comunidades.Nunca haverá paz enquanto pessoas viverem com tanta desigualdade. Finalizo com muita tristeza com uma frase do Papa Francisco que resume a situação das favelas do Rio de Janeiro: "Nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma", 

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