Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A Copa é no Brasil, mas não para os brasileiros

Qual o preço da copa do mundo?

Jornal do Brasil

A maioria dos brasileiros vibrou de emoção quando o Brasil foi escolhido para sediar a copa do mundo de 2014. Afinal, o país do futebol foi selecionado para sediar o maior evento esportivo do gênero.

Para essa realização o país sofreu uma série de obras, casas e famílias foram removidas, e muito dinheiro dos cofres públicos tem sido investido para criar estádios com o padrão exigido pela Fifa. No entanto,o Brasil é um país precário em serviços básicos e necessita de muitos investimentos em áreas prioritárias: saúde, educação, habitação, segurança, infraestrutura.

O velho argumento para todos os problemas é sempre a falta de dinheiro.  O que nos revolta é saber que se há dinheiro para construir estádios, por que não há para obras de saneamento básico, casas populares, postos de saúde, creches, escolas, e melhorias nas favelas?

Enquanto todos esses bilhões são desperdiçados, o nosso Brasil ocupa a 84ª posição entre os 187 países avaliados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e possui quase 10% da população analfabeta. Todo esse dinheiro deveria ser investido para solucionar as nossas demandas mais urgentes.

“O país gasta rios de dinheiro com copa do mundo em um lugar onde não tem sequer as necessidades básicas e deixa de lado as coisas mais importantes que são a saúde e a educação”, afirma Gabriel Figueiredo, profissional de Educação Física e Morador da Rocinha.

A copa da elitização – O que mais entristece é que todo esse investimento não é para a grande parte da população brasileira, a classe trabalhadora e moradores de comunidades onde nascem os craques que brilham na copa do mundo foram excluídos do mundial que vende ingressos a preços impossíveis de serem comprados. Ou seja, a parcela mais pobre da sociedade é impossibilitada de acompanhar os jogos do esporte mais popular do Brasil.

Não é novidade para ninguém que nós Brasileiros somos fanáticos por esse esporte chamado futebol, sem dúvida esperamos muito por esse momento, a “Copa do Mundo”, na expectativa de acompanhar nossos jogadores nas partidas. Mas infelizmente, nem tudo são flores e a grande decepção são os altos investimentos para um evento que não oferecerá solução para os nossos problemas de saúde, educação, emprego, violência, entre inúmeros outros.  Além de todos os fatores negativos, grande parte dos torcedores será obrigada a assistir as partidas de dentro de suas casas, com os preços dos ingressos tão abusivos será inviável o acesso aos estádios. "É realmente lamentável", afirma Romario Santos, músico e morador da Rocinha.

É um absurdo considerar que um evento esportivo seja mais importante que ver todas as crianças com a possibilidade de estudar e trilharem seus futuros. Não há como aceitar que esse dinheiro poderia salvar vidas nos péssimos hospitais das cidades brasileiras ou oferecer casas dignas a tantas famílias pobres.  E tudo isso para quem? Para as construtoras, para garantir a reeleição dos nossos atuais governantes, para agradar os turistas e a elite brasileira.

Que postura é essa discriminadora que não permiti ao menos que a cultura do povo iluda a vida precária que o país oferece?

*Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio. 

Tags: considerar, é um absurdo, esportivo, importante, que, seja mais, um evento

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