Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Vida Escassa

Jornal do BrasilMônica Francisco*

O impacto das mudanças urbanas na vida da classe trabalhadora brasileira é nefasta.Empurrada para as áreas mais frágeis em muitos aspectos geológicos e ambientais,elas vão se adaptando e dando o seu"jeito"para sobreviver.O que de certa forma acaba se tornando folclórico em nosso país.

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Só que não há nada de lirismo em passar 03 horas em transportes precários,viver no fio da navalha em territórios de pobreza degradados ou com acesso à serviços públicos oferecidos de forma escassa,como nas favelas e áreas periféricas.

A vida escassa,onde na favela por exemplo,caso nosso aqui no Borel e em muitas outras favelas abastecimento de água quando chega duas vezes por semana é motivo de festa.Onde a ausência de um atendimento de saúde digno de seres humanos é raro.Vida escassa onde se você é negro e pobre,é passível de ter seu corpo justiçado.Justiceiros,heróis,são aqueles que exterminam este grupo em especial.

O Rio de janeiro,passando por um processo de remodelamento extremamente agressivo,gentrificando muitas áreas,e o mais perverso está fazendo aflorar um de  limpeza étnica travestido por desejo de justiça e auto defesa,guardado lá naquela parte profunda do ser,onde também guardamos nossa animalidade.

Mas o que a mudança no cenário urbano,com mudanças de vias,construções de toda ordem,revitalização de áreas da cidade antes degradadas e remoção de populações?Tudo

Estas mudanças são fruto de um desejo de restringir acidade aos que podem pagar por ela.Não sei o que vamos fazer emergir com este processo avassalador,mas sinto que estas camadas oprimidas das favelas e periferias da cidade,vão chegar à um nível tal,que perigamos acender um estopim que não conseguiremos apagar.

Engraçado o governador de São paulo dizer que vai procurar quem incitou o quebra quebra no metrô.No calor infernal,sendo esmagado entre portas e pessoas,se sentindo como um lixo humano,desrespeitado todos os dias, a única forma de extravasar é essa.A incitação á violência vem do deboche e das risadinhas entre governo e concessionárias,registrado em momentos de descuido,porque sabemos que riem de nós o tempo todo.

Quando começarem à fazer justiça com peles brancas e olhos claros,vejamos até que ponto a frase "isso será só uma autodefesa contra governo omisso e violência crescente",vai soar com tanta naturalidade na boca de contadoras de histórias.

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Licencianda em Ciências Sociais pela UERJ.

Tags: à fazer, brancas, com peles, começarem, justiça, quando

Compartilhe:

Comentários

1 comentário
  • aNTONIO oLIVEIRA

    Até gosto das matérias dessa moça. Entretanto ela desenha um país um pouco diferente do que conheço. Pelos seus relatos, todo negro, ao sair às ruas é hostilizado. Pare de acender esse ódio naqueles que por qualquer razão não conseguem interpretar o que você quer dizer da forma mais clara. Já disse, não é novidade e eu repito, nós vivemos um preconceito gravíssimo sim, e não é o racial, mas social. Branco ou negro, chega ser uma expressão desnecessária, basta olhar o resultado e vai constatar o que digo na pele de pelo menos 90% dos brasileiros. Aqui ninguém se incomoda se o sujeito é negro, oriental, europeu. Aqui a única diferença inegável é a social.
    Você é inteligente e pode nos oferecer suas matérias com muito brilho. Não se perca insistindo em mostrar um racismo que não existe. A menos que você tenha a intensão de se candidatar a algum cargo e considere essa bandeira a mais apropriada. Olhe atentamente ao seu redor e você vai ver quanto problema este país tem para ser tratado com essa sua garra. Não desperdice energia.

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.