Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A Maré não está para peixe

Jornal do BrasilWalmyr Jr*

A Baía de Guanabara é um ecossistema que vem sofrendo um grande impacto ambiental. Diariamente, despejo de esgoto doméstico e industriais são lançados em suas águas, além dos aterramentos oficiais e clandestinos. Segundo o ex-secretário de Meio Ambiente Carlos Minc em entrevista à Agência Efe “Há 30 anos a Baía de Guanabara está podre".

Infelizmente o pouco investimento no programa de despoluição da baía transforma nosso cartão postal uma carta óbito para aqueles que dependem da pesca para viver.

Diariamente o morador da maré enfrenta os desafiosdos cotidiano para sobreviver na cidade. Com falta de mobilidade urbana, falta de saneamento, falta luz, falta educação e segurança, fica difícil de se viver. Não bastassem essas dificuldades, os pescadores das favelas da Maré que dependem da pesca na Baía de Guanabara estão passando um sufoco.

Um dos é o caso da Colônia de pescadores da Marcílio Dias. Lá os pescadoresnão conseguem mais atracar com os barcos por conta de um acidente onde o cais partiu ao meio e por conta do assoreamento causado pelo esgoto a céu aberto que cai dentro da Baía de Guanabara.

Senhor Ismael, morador antigo na comunidade e pescador há muitos anos, não consegue mais tirar da Baía de Guanabara o sustento da sua família. Segundo ele a cada vez que arremessa a rede, pesca mais garrafas pet e sacolas plásticas do que os cardumes que pescava antigamente. “quando vamos pescar passamos muitas dificuldades, a rede rasga por causa do lixo e ai temos que costurar, a sacola de plástico prende na hélice do motor do barco, quando isso acontece nós temos que entrar na água e mergulhar para tirar, a vida de pescador aqui no Rio de Janeiro está difícil, a água está muito suja, pesco mais lixo do que peixe”.

Outra realidade é a prática esportiva nas águas da baía. Há menos de três anos para os Jogos Olímpicos, que serão realizados na cidade do Rio, vemos muito pouco foi investido para que a Baía volte a respirar. A mistura de esgoto, calor, luminosidade e praticamente água doce, despejada das residências sem saneamentos, produz muitas bactérias nocivas à saúde humana e a vida dos peixes.  São milhões de toneladas de matéria orgânica que asfixiam peixes, que assoreia os canais e vias para as embarcações.

Será que teremos mesmo os 80% de despoluição da Baía de Guanabara em 2016 para as olimpíadas como prometeu o Governador Sergio Cabral?  Será que um dia trabalhadores que vivem da pesca vão poder contar com uma baía limpa e saudável? A tímida reação da gestão do já reempossado Deputado Estadual, Carlos Minc na Secretaria de Meio Ambiente gerou os frutos que o Governo Cabral especulou?  Fica aqui algumas perguntas que um carioca deveria se fazer quando vê o seu cartão postal se decompondo por causa do descaso e abandono, fruto da ausência de um Estado de direitos.

*Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: da baía, de despoluição, de guanabara, mesmo, os 80%, que teremos, será

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