Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Os desafios do combate ao crak na Maré

Jornal do BrasilWalmyr Jr.*

Tendo em vista que o Brasil é considerado o maior consumidor de crack  do mundo, com cerca de um milhão de dependentes. Os espaços públicos de consumo são pejorativamente chamados de cracolândia, verdadeiros redutos de compra e consumo desta droga a céu aberto.  Sabemos que no país, as cidades que mais possuem aglomerações de dependentes em cracolândias são Rio de Janeiro e São Paulo.

Tendo em vista que o Complexo da Maré é um dos conjuntos de favelas que tem em seu território a marca do tráfico desta droga, vemos de forma ainda muito conturbada as possíveis soluções para o problema. O tráfico nas margens da Avenida Brasil funciona a céu aberto e a todo vapor.

Na tentativa de superar esse problema social e de saúde pública, o Estado têm endurecido o combate à epidemia do crack. Porém, deter e prender os dependentes químicos não tem sido considerada a melhor solução. Desde 2012, a prefeituras do Rio de Janeiro coordena operações para espalhar os viciados pela cidade e, projetos posteriores aplicaram a internação involuntária para casos de alta gravidade.

O problema é que além de tirar a liberdade do indivíduo, a internação compulsória não segue todas as etapas de um tratamento eficaz e de um acompanhamento posterior a alta do paciente, na maioria dos casos, os dependentes químicos retornam às ruas e caem novamente no vício. Vemos que a prefeitura não proporciona uma perspectiva de mudança na vida desses indivíduos.  Além de não conseguir reinserir esse indivíduo em uma dinâmica social, a prefeitura não faz intervenções que possa mudar o cenário que vemos todos os dias. 

A morte dos usuários é uma tragédia anunciada. Inúmeros casos de atropelamentos, overdoses, roubos, furtos e tantas outras formas de violências, refletem esse quadro de opressão e medo que os usuários e nós moradores somos obrigados a conviver diariamente.

Fica aqui o descontentamento de um morador que não consegue achar normal ver meninas e meninos caídos nas calçadas do meu bairro por causa da marginalização e consumo desenfreado do crack. Ver Jovens que perdem a cada dia o seu direito de viver por causa dessa droga me faz enxergar que o não combate ao crak de forma efetiva é uma formidável ferramenta para garantir a criminalização da pobreza e das juventudes.

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

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