Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

O Brasil que se nega, que se rejeita

Jornal do BrasilMônica Francisco*

O Brasil continua à negar-se à si mesmo.Fico pensando em como esta pátria dos inconstantes consegue ser à cada dia mais perversa com seus filhos mais frágeis.

Cresce o número de vitimados pelo crack,direta e indiretamente.Acho que o plano de permitir espalhar a droga e limpar o Rio de Janeiro da população de rua,apostando na rápida dizimação pelo uso da droga falhou e agora pensa-se  em como consertar,já que solução mesmo..

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Solução para uma massa negra,famélica,andarilha e doente?como buscar solução se são os que justamente não se  quer.Eles não se parecem com aqueles que o Brasil quer.O Brasil que se nega, se rejeita.Como se quisesse arrancar de si mesmo essa mancha que teima em não sumir.Já era assustador ser um país de mestiços,agora é aterrorizante ser um país de negros. 

O mais engraçado é que não se tem um mínimo de constrangimento em cercar jovens negros em Shopings,alegar "risco" iminente e reproduzir cenas dignas de Debret.É difícil estar em um mesmo ambiente com estes jovens negros sem olhá-los com profunda desaprovação quando estão em menor número e não apresentam tanto "risco',só o do incômodo da presença.

Nega-se á si mesmo o Brasil,quando vemos um Estado debaixo d"água,municípios que amargam sua dor até hoje,sem que nenhuma explicação aceitável seja apresentada,e nada feito para que aos empobrecidos e vitimados sejam devolvidas as suas moradias e a sua dignidade de cidadão(ã) brasileiros(as).

É uma negação tal,que dói.Mais uma bala acerta uma criança,é pobre.é negra,é do Urubuzinho.Um ano de lembrar outra que ficou quase nove horas com uma bala aguardando socorro médico,mas o médico não veio.Nada não ,é só mais uma gente descartável,indesejável,facilmente reposta,porque tanta gritaria?.

Precisamos nos olhar de frente e nos reencontrarmos como nação.Que 2014 traga a luz para entendermos que a mudança já se faz mais do necessária é crucial para que nos conformemos como nação de fato.

A escravidão nos marcou de forma profunda,à ponto de até não percebermos que seus malefícios nos influenciam até hoje.Ao invés de repararmos este erro de mais de três séculos de forma contundente,continuamos marcando de muitas formas aqueles que são herdeiros diretos dos males que ela causou.É só fazer um pouquinho de esforço e olhar em volta.Ainda dá tempo.

Aí,não vamos mais ter: Amarildos,Matheus,Magnos,Carlinhos,Elielsons, Sandros,,.......,

"A nossa luta na favela é todo dia e toda hora,Favela é Cidade,não à Gentrificação e à REMOÇÃO!!" 

*Mônica Francisco é representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Licencianda em Ciências Sociais pela UERJ. 

Tags: a, de forma, escravidão, marcou, nos, profunda

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