Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A remoção é uma crueldade

Jornal do BrasilDavison Coutinho*

Há poucos dias o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro deu declarações sobre as remoções de casas em favelas e não agradou nem um pouco aos moradores das diversas comunidades da cidade que estão sofrendo obras de intervenção do governo.

A responsabilidade dos problemas estruturais das comunidades é inteiramente do estado e as pessoas chegaram nesses locais e construíram com todo esforço um local simples para se viver, trabalhar e manter suas famílias. Não havia acompanhamento do governo, tendo em vista que as favelas estão abandonadas por muitos anos.

Davison Coutinho
Davison Coutinho

Essas construções não são apenas tijolo e cimento, mas, representam o suor do pobre trabalhador que com muito sacrifício conseguiu se instalar em uma casa. São casas históricas construídas com muita luta até mesmo por seus antepassados e que fazem parte de um laço cultural do individuo e sua comunidade. Não se pode romper todo laço que o morador tem com sua comunidade e familiares. Raízes são fundadas por toda uma geração de pessoas que começaram suas vidas na favela há muitos anos atrás, antes mesmo do poder público começar a intervir na comunidade e montaram os primeiros barracos no morro.

Além disso, outro fator cruel das remoções é a falta de opções para o morador que é obrigado a aceitar um imóvel distante, que o distancia de seus vínculos, vida social e profissional, muitas vezes faz com que o mesmo perca o emprego. Outra opção oferecida é aceitar a quantia irrisória oferecida de indenização que por conta da gentrificação nas favelas não permite que o morador continue morando na própria comunidade.

Não podemos resolver os problemas da favela expulsando os moradores que fazem parte dela por toda uma vida. É um tratamento desumano, e que afeta muito a vida dessas pessoas. Precisamos levar em conta todo o passado do morador em sua comunidade, e fazer de tudo para oferecer a oportunidade dele continuar morando em sua comunidade. Não são apenas imóveis em jogo, são historias, são vidas.

*Davison Coutinho, 23 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio,  membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio. 

Tags: da favela, expulsando, não, os moradores, os problemas, podemos, resolver

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Comentários

2 comentários
  • Luiz Carlos De Aquino Bruno

    Davison, tenho lido suas crônicas e acho que você tem razão em muita coisa, no entanto a de hoje é bola fora.Voce como morador do local e com titulo universitário sabe muito bem a que o secretário esta se referindo. A necessidade de uma intervenção urbanística no local é premente. É necessário abrir vias e acabar com os becos estreitos que não permitem a chegada da luz em diversos locais,que você como morador deve conhecer bem. Os índices de tuberculose no local são alarmantes ,por conta disso, e para a realização dessas obras se torna necessário a remoção de centenas de imóveis do local. O que você como integrante da comissão de moradores e liderança local devem fazer, é ajudar a encontrar locais próximos onde possam ser construídas novas residências para os removidos. A sua crônica de hoje esta mais para politico demagogo e de olho numa vaga na assembleia. Uma pena pois você é jovem e sua formação como desenhista industrial, força a trilhar um caminho mais coerente com o novo do que com velhas retóricas. Reveja seu posicionamento. Um grande abraço.

  • Luiz Carlos De Aquino Bruno

    Cade o comentário que postei minutos atrás??????????

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