Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Imagens que valem mais do que muitas palavras

Jornal do BrasilMônica Francisco*

O que vivemos nesta semana na Baixada Fluminense, no Complexo de favelas do Alemão, em Manguinhos, Acari e tantos outros espaços de maioria popular e negra, nos faz pensar o que temos para comemorar – talvez até tenhamos –  quando percebemos que de alguma forma a favela e os espaços marginais da cidade já não aceitam mais discutir suas questões sem serem inseridos, quando as juventudes se organizam e dizem que querem viver – principalmente a juventude negra –, podemos até nos alegrar e animar um pouco.

Aqui no Borel, sem água, os moradores tentam se virar como podem para viverem suas rotinas. A luz desde a chuva da semana passada não chegou e, se virando, todos tentam não perder seus alimentos.Tudo bem, a gente já se acostumou a viver alternativamente. No momento em que escrevo este artigo minha amiga aflita, moradora do Morro da Formiga, me liga e diz com voz  de quem sente o peso do que é viver em favela, pedindo ajuda, pois junto com ela, cerca de cem pessoas assistiam atônitas à proibição das kombis de fazerem seu trabalho por estarem suas  com carteiras incompatíveis, sendo notificados e, segundo ela, disciplinados no mesmo dia.

Mônica Francisco
Mônica Francisco

"Não fomos comunicados, estávamos todos no ponto esperando a Kombi. Falei com um policial que iríamos fechar a Conde de Bonfim, pedi que avisasse ao comando e assisti abismada ele me dizer que iria falar mas não iria adiantar nada porque ninguém ia ouvir", disse Rosana Queiroz, 47 anos, educadora popular e moradora do Moro da Formiga.

É isso, meus caros e caras leitores desta coluna. Estamos vivendo dias estranhos, onde cada vez mais se faz necessária nossa reflexão acerca do que estamos nos tornado como humanidade e até quando nos silenciaremos ou deixaremos de lado. Perceba: um dia não dará mais para ficarmos em cima do muro.

Esta semana estou um pouco imagética. Acho que as palavras me fugiram, não porque não as tenha, mas acreditando piamente que uma imagem pode valer por milhares de palavras ou caracteres. como queiram. Por isso diminuo as palavras e lhes apresento as imagens desta semana.

"A nossa luta na favela é todo dia e toda hora,Favela é Cidade,não à REMOÇÃO!!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Licencianda em Ciências Sociais pela UERJ.

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