Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

A violência recrudesce nas favelas

Jornal do Brasil

O programa de pacificação de favelas do Rio de Janeiro irá completar 05 anos neste mês. No inicio o programa gerou uma grande expectativa e esperança na vida dos moradores que sonhavam por muitos anos com a libertação, qualidade de vida, segurança, e principalmente com o acesso aos direitos básicos e garantidos a todos os cidadãos brasileiros.

Davison Coutinho
Davison Coutinho

No entanto, a violência nas favelas não foi reduzida, nem tão pouco neutralizada como temos visto nos comerciais e campanhas do governo. Muito pelo contrário, a cada dia percebemos mais a insatisfação e insegurança dos moradores que já não veem mais no governo, e consequentemente no policial, a figura da paz e segurança.

Casos de violência cometidos por policias afastam ainda mais o morador da politica da UPP, e há quem diga que se sentia mais seguro antes dela.  

A morte e tortura de Amarildo chocaram toda a comunidade da Rocinha e toda a sociedade. O local hoje sofre com o medo da violência e dos intensos tiroteios que são diários. Até mesmo nas Favelas da Babilônia e Chapéu Mangueira, onde a UPP parecia ter um bom trabalho, acabamos de se espantar com uma cena triste e revoltante de um policial agredindo um trabalhador.

“O caso ocorrido aqui na favela da babilônia aonde o policial agrediu com socos o moto taxista não é um caso isolado pelo contrario isso faz parte do cotidiano das favelas militarizadas que sofrem todos os dias todos os tipos de abusos cometidos pelos capitães do mato que vigiam e monitoram as favelas 24 horas por dia a mando dos senhores de engenho. Sou do Movimento Favela Não Se Cala e sabemos de casos absurdos que ocorrem em outras favelas toque de recolher policias sem identificação, invasão de casas e etc. André Constantine, líder do movimento Favela Não se Cala e morador do Chapéu mangueira. 

Outro fator que prejudica a pacificação é à entrada do policiamento nas favelas sem programas sociais de qualificação e melhoria da qualidade de vida dos moradores. O trabalho da UPP social é pouco conhecido dentro das comunidades. Os moradores de favela são vistos apenas como marginais e que precisam apenas de repressão e policia. Na verdade o que precisamos é de projetos que estruturem a comunidade e potencialize o conhecimento dos moradores para que possam se desenvolver e construírem seus futuros de forma digna e justa.

“Precisamos entender é que a” UPP faz parte desse projeto de cidade mais elitizada e mercantilizada, onde a policia tem um papel de protagonista porque após invadirem as favelas com a militarização fascista acontece a gentrificação, ou seja, o encarecimento no custo de vida dos moradores, o que expulsa os verdadeiros moradores. Depois da militarização os grandes empresários percebem que as favelas também são uma grande fonte de lucros e assim entram as grandes empresas que só exploram a comunidade. O poder público por sua vez começa a regularizar os serviços, só que essa regularização não vem acompanhada de politicas publicas sociais, e assim vemos a empresa light cobrando uma conta de luz aqui no chapéu mangueira no valor de 300 e no salgueiro as contas chegam até valores mais altos.”. Desabafa Constantine

O fato é que a UPP foi bem vinda, no entanto, faltaram projetos que buscassem o desenvolvimento social dos moradores. Somente o primeiro passo foi dado e depois tudo foi deixado a deus- dará. O caminho para entrada do poder público nas favelas foi aberto, porém ficou tudo a cargo da policia e a população é suficientemente entendida para não aceitar uma favela militarizada.

Somos parte integrante da cidade, merecemos respeito, merecemos uma sociedade de paz. 

Tags: da militarização, depois, empresários, os grandes, percebem

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