Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Colunistas - Comunidade em pauta

Tiroteios na Rocinha fazem parte da rotina dos moradores

Jornal do BrasilDavison Coutinho*

O dia a dia na Rocinha nos últimos seis meses têm sido marcados pela intensa troca de tiros que já faz parte da rotina dos moradores. E o que assusta ainda mais, é que as pessoas já estão ficando habituadas e acostumadas com as trocas de tiros que presenciam diariamente, principalmente no horário da noite.

A sensação de insegurança é grande, o morador já não pode mais circular por toda a comunidade com segurança, coisa que antes era inimaginável. Os comerciantes locais, a todo tempo precisam fechar seus negócios para se esconder das balas, e o corre-corre e o medo assustam o restante da população.

“... queremos que o governo entenda que as forças policiais são apenas a parte visível de um processo que, sem os necessários desdobramentos, ou seja, a presença permanente do Estado vem perdendo totalmente a credibilidade dos moradores e corre o risco de não dar certo ... Não se pode querer calar a voz dessas comunidades, nem sua vivência cultural...Definitivamente, não se pode esperar da polícia um papel que não é seu, por melhor que seja a intenção de seus integrantes....”.  William da Rocinha É líder comunitário e Membro do Conselho Estadual de Diretos Humanos (CEDH-RJ).

Já não se pode mais receber uma visita de fora da Rocinha, afinal, quem vai encarar subir em uma favela que só é pacificada nos comerciais do atual governo.  A fama de paz no local já foi se embora junto com a fama da UPP e do governo atual. É revoltante assistir tantos pais de famílias temendo pela vida de seus filhos, dentro de suas casas, sujeitos a uma bala perdida a qualquer momento.

Já não sabemos em quem confiar, a paz se foi, aliás, nunca de fato chegou a insegurança aumentou. E nós, o que fazemos para seguir em frente? O que podemos responder a nossos filhos, quando perguntam sobre o barulho e medo que sofremos?

Queremos paz com respeito!

*Davison Coutinho, 23 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Formando em desenho industrial pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio. 

Tags: favela, Governo, insegurança, pacificada, sofremos, tiroteios

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