Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Junho de 2018 Fundado em 1891
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Rocinha fica de fora da reunião do PAC feita com a elite

Emop faz reunião apenas com moradores de São Conrado

Jornal do Brasil Davison Coutinho

Uma das maiores reivindicações dos moradores da Rocinha, pelo visto, não vem sendo respeitada pelo Governador: a participação em toda e qualquer discussão de mudança para a favela. É o que prova o conjunto de reuniões que vem sendo feitas na comunidade “às escondidas” e sem divulgação e participação ampla dos moradores.

Prova disso, é a reunião que acontecerá hoje em São Conrado com o presidente da EMOP, Sr. Icaro Moreno e a Associação de Moradores de São Conrado (Amasco). A notícia sobre a reunião foi interpretada pelos moradores de forma muito negativa, pois esse encontro deveria ser dentro da comunidade com os verdadeiros interessados: os moradores da Rocinha.

O presidente da EMOP se comprometeu a visitar a favela e conversar com os moradores, porém, até então não esteve no local, alegando falta de tempo. Agora em São Conrado ele se mostrou disponível para atender a elite carioca que está preocupada com os limites da favela, para que não venha atrapalhar o “glamour” de um dos bairros mais nobres da Zona Sul.

O líder comunitário Rafael da Rocinha se mostrou inteiramente contra a reunião de hoje e se juntou a outras lideranças para organizar um grupo de moradores a Rocinha para comparecerem na reunião em São Conrado.  Rafael mostra sua indignação: “Será que vamos ter que construir um hotel na Rocinha, para que o Sr.Ícaro compareça? A Rocinha além de maior de idade é vacinada e sabe lutar e reivindicar os seus direitos. Não precisamos da Amasco se intrometendo na nossa causa, cada um que olhe para os seus problemas”, disse ele. 

Sabemos que não é São Conrado que vai saber o que é bom ou ruim para nossa comunidade, o governador se comprometeu em reunião com os moradores de fortalecer a nossa participação nas decisões para a comunidade. Não são pessoas que moram em frente ao mar, com todo luxo que vão decidir por nós, é preciso ter participação de quem mora em meio a valas, becos, ratos e lixo, encostas.

A Rocinha , assim como as outras favelas precisam ser vistas como partes integrantes da cidade, somos conscientes e sabemos decidir por nós. 



Tags: comunidade, conrado, luxo, moradores, reivindicações, rocinha, são

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