Jornal do Brasil

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Colunistas - Comunidade em pauta

Descaso com Avenida Lobo Junior só acontece na Maré

Jornal do BrasilWalmyr Jr.

A tradicional Avenida Lobo Junior, é considerada uma das colunas da Penha. Responsável pela ligação com a Avenida Brasil, espinha dorsal da Cidade do Rio de Janeiro, foi também um marco da urbanização do bairro que era agrário e virou um pólo industrial na década de 1970. 

O que poucos sabem é que ela começa dentro da Maré! Tem início em frente ao Cais da Favela Marcílio Dias, a antiga praia da Moreninha. Ali, esta avenida viu passar o desenvolvimento da comunidade, viu passar muitos caminhões com um peixe saudável da Bahia de Guanabara. Através desta avenida as pessoas frequentavam a praia e muitos se aventuravam nos manguezais para captura de caranguejo. Sem contar que essa avenida convive com a história das muitas famílias que viviam da pesca e da fábrica de couro kelson e tinham suas casas sobre a Bahia de Guanabara, quando ainda era uma comunidade de palafitas.

Hoje, a mesma avenida que viu a história do desenvolvimento da Penha, também vê o descaso com o lento e quase inexpressivo desenvolvimento da favela Marcílio Dias. Na comunidade, a Avenida Lobo Junior tem em seus primeiros números a marca do abandono. Está largada com muitos buracos, esgoto a céu aberto e, um matagal onde é possível ver foco de ratos, baratas e mosquitos.

Os moradores da Marcílio Dias tem ainda que dividir a rua com os carros na altura do ambulatório naval. Isso por que os pacientes do Ambulatório Naval da Marinha usa a calçada de estacionamento.

A obra que a CEDAE fez na Avenida Lobo Júnior, apelidada por rua da Marinha pelos moradores, não foi acabada. O bueiro está entupido a mais de 1 ano. O asfalto é totalmente destruído, não existem lixeiras e a Comlurb não varre esse trecho da avenida.

Para Adilson Landman,33,  morador da favela, é um absurdo isso estar acontecendo com a população. “A gente passa no meio da pista, no meio das kombis porque os carros estão estacionados na calçada. Como vamos passar? Temos que andar na rua”, afirma ele. Para Isabela Gonçalves, 25, andar perto dessa água suja é horrível. “Sempre tem um cheiro ruim e ainda ocupa a metade da calçada”, afirma ela.

“Quando Chove não temos nem calçada para passar” comenta D. Maria. “A rua da Marinha fica tomada por muita água e as calçadas são encobertas pela água. Ali se mistura água da Chuva com a água do esgoto, colocando todo mundo em contato com diversas doenças”.

Conversando com algumas lideranças comunitárias ouvi a seguinte frase: “Não adianta apenas nos reunirmos com o poder público. Queremos ver o retorno, isso é o que falta.”

O retorno que a população da Maré quer é um direito básico. Direito que está sendo negado pelo poder público. Temos direito de mobilidade, é um absurdo, a histórica avenida Lobo Junior ter manutenção somente a partir da Avenida Barsil. Parece que o que está dentro da favela está escondido para ninguém ver  e assim a gente vai tentando sobreviver ao desprezo e descaso.

Tags: absurdo, básico, doenças, encobertas, tradicional, água

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