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Sociedade Digital

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André Miceli

O preço da privacidade

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Como, cada vez mais, a privacidade é uma coisa do passado, seria justo se as pessoas ao menos lucrassem com suas informações pessoais. Vejo que, em breve, assim será o mercado.

Brittany Kaiser, que foi da Cambridge Analytica, foi a público este ano para testemunhar sobre como o antigo empregador indevidamente utilizou dados de milhões de usuários do Facebook. É uma perspectiva compartilhada por um número crescente de usuários on-line em todo o mundo, que estão despertando para o fato de que o Facebook Inc. e os impérios on-line do Google são baseados em dados que eles assinaram sem compensação.

A questão é como? O Facebook, por exemplo, poderia distribuir tokens digitais para seus 2,2 bilhões de usuários em troca da informação íntima usada pelos anunciantes na rede social todos os dias, sugere Kaiser.

“A privacidade não existe em uma era de crise pós-Facebook”, disse Kaiser na cúpula da Bloomberg Sooner Than You Think, em Cingapura. “Os ativos digitais que você produz todos os dias são seu próprio valor humano. Você deve ser capaz de possuí-los e poder compartilhar a monetização disso”.

Do ponto de vista pessoal, a propriedade real e o controle de dados significa ter todas as suas informações – desde inclinações políticas e preferências de produtos a registros médicos – em um local, para que as pessoas possam decidir quem acessará e em quais termos. Isso pode significar qualquer coisa, desde vendê-lo até o uso limitado em troca de um serviço gratuito (como o Facebook) – ou mantê-lo completamente privado.

A privacidade simplesmente não é viável na era da crise pós-Facebook. No entanto, os consumidores devem evitar o “fomento ao medo” ou se apegarem à ideia de que nenhum dado é seguro. O Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia, que entrou em vigor em maio, se concentra na proteção de dados pessoais. As empresas, agora, enfrentam regras mais rígidas sobre o consentimento e multas reforçadas para quaisquer violações de dados. Essa estrutura está ajudando a impulsionar os EUA para uma legislação mais rigorosa. Inevitavelmente a situação se repetirá em outros países.

Em última análise, trata-se de afirmar o controle sobre seus próprios bens valiosos. Minhas fichas estão no blockchain. Aposto que será nele, provavelmente remodelado, que estará a nossa próxima geração de dados. Atualmente Amazon, Facebook, Alphabet e outros gigantes armazenam e usam nossos dados sem cruzá-los e sem nos dar grandes contrapartidas além de uma melhor experiência de navegação. No futuro, também teremos vantagens financeiras por isso. Se privacidade é o passado, o passaporte para o futuro, como de costume, vai ser comprado com dinheiro.

Prorrogação

 

Foram prorrogadas as inscrições da Hack Brazil, um evento da Brazil Conference, que acontece em Harvard e MIT. Essa é a melhor competição feita para startups brasileiras. Com prêmio bem acima da média, a próxima edição irá distribuir R$ 100.000,00 em dinheiro e uma série de outros benefícios para seus participantes. Dois meses de mentoria com alguns dos principais nomes do digital no Brasil, viagem a Massachusetts e uma rede de contatos capaz de fazer decolar qualquer empresa.

Até o dia 17 de setembro, times podem se inscrever gratuitamente através do site www.hackbrazil.com.br. A única exigência é que as novas empresas tenham propostas capazes de impactar positivamente nosso país.



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