Jornal do Brasil

Domingo, 27 de Maio de 2018 Fundado em 1891
Coisas da Política

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Tereza Cruvinel


Mais do velho mal

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Temer não vai concorrer à reeleição e o MDB vai fingir que disputa a Presidência com Henrique Meirelles. Embora uma ala do partido não queira candidato algum, para facilitar as alianças estaduais,  este é o bom negócio do partido que mudou de nome mas não de tática. Como Meirelles vai financiar a própria campanha, o MDB empregará toda sua cota do fundo eleitoral, mais de R$ 200 milhões, na eleição de grandes bancadas de deputado e senador. Forte no Congresso, venderá caro seu apoio ao futuro presidente, que precisará de maioria para governar. Bom para o MDB, ruim para o Brasil. 

Temer não vai oficializar a desistência agora mas a tropa de choque já foi avisada e o partido já se organiza para marchar com Meirelles. Na convenção pode haver um enfrentamento entre a ala que apoiará o ex-ministro, para que Temer tenha um defensor de seu governo no palanque eletrônico, e a dos que desejam o partido liberado para a farra das alianças.  Como Temer tem a máquina, tem chances de impor o candidato. Mesmo não tendo o tempo de televisão a negociar, os outros farão o que bem entenderem. 

Temer desistiu da candidatura porque ela teria custos muito altos, começando pelo financeiro. A chiadeira das seções regionais do partido estava grande mas apenas Renan Calheiros falou com franqueza, através desta coluna, em 29 de abril: gastar dinheiro com uma candidatura presidencial sem futuro é prejuízo para o partido. Falava de Temer, com seus 70% de rejeição e 1% nas pesquisas. O desempenho de Meirelles não é melhor mas a diferença é que ele bancará a própria campanha.

Temer avaliou também, com a turma do Jaburu, que sendo candidato estaria ainda mais exposto ao que chama de perseguição judicial. Os inquéritos vão prosseguir, seja ele candidato ou não. Como o dos portos está prorrogado até o início de julho, existe o risco de uma terceira denúncia estourar em agosto, época do registro de candidaturas. Campanha de rua ele não faria, para evitar hostilidades. Nos debates, seria a Geni que todos espancariam. Ciro já o chamou de “golpista salafrário”. A aproximação com o tucano Geraldo Alckmin esfriou e de todo modo, ao contrário de Meirelles, ele não defenderia o governo. 

Boa parte do MDB então já se prepara para a dança eleitoral com Meirelles. Dizem que pode não trazer votos mas também não tira. O deputado Darcísio Perondi, vice-líder do governo,  informa que agora os emedebistas começarão a circular com ele pelos estados, para que se solte mais e adquira traquejo. “Vamos com o Meirelles. No Rio Grande do Sul estou organizando encontros dele com empresários, produtores rurais, prefeitos e lideranças políticas. Companheiros estão preparando viagens a outros estados”. 

Este é o melhor negócio que poderia fazer um partido chamado de golpista e obrigado a carregar um governo tão rejeitado.  Para o Brasil, pode ser a reprise do filme que vem passando desde o governo FHC: hegemônico no Congresso, o MDB cobra em ministérios e diretorias de estatais o apoio para a formação da maioria. O que a Lava Jato não entende que é que a corrupção é inerente a este sistema, não uma questão de caráter.

MÃES PRESAS 

Venceu em 20 de abril o prazo dado pelo STF para os tribunais estaduais concederem a prisão domiciliar a  gestantes e mães de crianças de até 12 anos, presas provisoriamente. Elas eram 45.989. Mesmo com o indulto de Temer, milhares de mães passarão este domingo na cadeia, longe dos filhos que largaram no mundo, porque uma ordem da Suprema Corte não foi cumprida.

E AGORA? 

Com a revelação de que generais-presidentes autorizavam a morte dos que combatiam a ditadura, integrantes da Comissão da Verdade pedirão novamente ao STF a revisão da Lei de Anistia, para que os criminosos possam ser julgados. Diante de uma evidência de terrorismo de Estado, o STF manterá o entendimento de 2010?



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