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Astrônomos encontram asteroide binário dono do passado turbulento do Sistema Solar

Corpo celeste pode ser peça-chave para conhecer detalhes das origens do nosso sistema planetário.

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O turbulento início do Sistema Solar se encontra refletido em um asteroide binário que revela como Saturno e Júpiter influenciaram outros planetas, como Urano e Netuno. Estamos falando de Patroclus e Menoetius, de pouco mais de 100 km de diâmetro, que fazem parte da massa de objetos do cinturão troiano de Júpiter, que orbitam entre si enquanto giram ao redor do Sol.

Segundo estudo dos pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Sudoeste do Colorado (EUA), publicado pela Nature Astronomy, a fase turbulenta dos gigantes do nosso sistema planetário aconteceu entre os primeiros 100 milhões de anos do sistema.

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Sistema Solar (Foto: Pixabay)

"Os troianos provavelmente foram capturados durante um período dramático de instabilidade dinâmica, quando ocorreu um conflito entre os gigantes planetas do Sistema Solar: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno", levando Urano e Netuno para uma zona externa, onde encontraram uma densa população de pequenos corpos, que eram considerados a origem dos atuais do Cinturão de Kuiper, sendo que, muitos se dispensaram para dentro, enquanto que, outros permaneceram encurralados como asteroides troianos de Júpiter, explicou David Nesvorny, um dos pesquisadores.

Mais um pesquisador, William Bottke assegurou que "observações do cinturão de Kuiper mostram que os binários eram muito comuns na antiguidade", o que reforça a hipótese de que Patroclus e Menoetius sejam relíquias dos tempos mais remotos do Sistema Solar, quando era possível a formação de um par de objetos de dimensões reduzidas diretamente de pequenas rochas.

O estudo realça a importância dos asteroides troianos, que pode clarear a história do nosso Sistema Solar. A presença do asteroide binário Patroclus-Menoetius sugere que as colisões poderiam ter sido provocadas por restos de corpos celestes próximos ao centro do Sistema Solar, ao invés dos corpos que viajavam de distâncias maiores.

Os binários troianos são os objetivos da próxima missão Lucy da NASA, que será lançada em 2021.



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