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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Ciência e Tecnologia

Pós-graduandos da UFRRJ vencem edital para produzir cogumelos no Espírito Santo

Projeto foi aprovado na primeira edição do Programa Sinapse da Inovação no ES

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Dois estudantes do curso de pós-graduação em Ciências do Solo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) foram contemplados no ‘Programa Sinapse da Inovação’, do Espírito Santo, e vão receber R$ 46 mil para produzir cogumelos comestíveis, como shimeji, shiitake, entre outros. O projeto, financiado pela Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado do Espírito Santo), oferece recursos financeiros, capacitação e suporte para transformar ideias inovadoras em empreendimentos de sucesso.

A partir de março, a dupla de novos empreendedores dará início à execução do projeto. A empresa criada por eles, a Pé da Serra, que surgiu na forma de uma start-up, tem objetivo de oferecer à população um produto natural e de qualidade cujo consumo vem crescendo de forma considerável no Brasil, mas que ainda não é amplamente ofertado nas prateleiras de supermercados, hortifrutis e nas feiras. Atualmente, a maior parte da produção está em São Paulo, o que torna a distribuição mais cara para outros estados brasileiros.

O professor Berbara e os pesquisadores Sael Sánchez, Camila Costa e Junior Fornaciari

Por quase um ano, o mestrando capixaba Ademir Junior Fornaciari e o cubano Sael Sánchez Elias, que é doutor em Ciências do Solo e residente no Brasil há 10 anos, moldaram uma proposta que consiste na utilização de resíduos provenientes da agricultura local na produção dos cogumelos comestíveis. A ideia, considerada inovadora pela fundação, venceu uma concorrência que contemplou 50 de 1.272 propostas inscritas na primeira edição do Programa Sinapse da Inovação no estado.

“Além de termos pensado num projeto cujo um dos pilares é a sustentabilidade e pelo fato de aproveitarmos os resíduos gerados na agricultura local do Espírito Santo, nossa missão é levar à maior parte da população do estado um produto muito consumido em todo o mundo”, afirma Sael Sánchez Elias, acrescentando que o mercado consumidor de cogumelos no Brasil tem aumentado, e no mundo ele movimenta US$ 35 bilhões ao ano, com potencial para crescer 9% até 2021.

O pesquisador cubano residente no Brasil lembra, ainda, que o cogumelo é um alimento muito rico em nutrientes. “O cogumelo, de um modo geral, contém 21 aminoácidos essenciais e o conteúdo de proteína pode superar o da carne bovina, além de ser rico em minerais e vitaminas. Por isso, ele é capaz de fortalecer o sistema imunológico, estimulando as células ‘natural killers’ [assassinas naturais], que são importantes no combate à infecções virais e células tumorais”, explica Sael Sánchez.

Graduado em Agronomia, Ademir Fornaciari foi aprovado recentemente no curso de mestrado Ciências do Solo da UFRRJ e terá a orientação do professor Ricardo Luiz Louro Berbara. Descendente de uma família capixaba de produtores de café, Fornaciari pretende vincular a produção de cogumelos à sua pesquisa na pós-graduação.

“Os resíduos serão coletados em propriedades de agricultores familiares de Governador Lindenberg, munícipio pertencente à região noroeste do Espírito Santo, onde há um predomínio dessa modalidade de produção e que movimenta a economia regional do estado. As propriedades, em sua maioria, são pequenas e médias e a produção de café conilon é a principal fonte de renda dos produtores. Como culturas secundárias, também há cacau, coco e cana-de-açúcar para a produção artesanal de aguardente”, conta Fornaciari.

Conhecido como "cogumelo salmão", o shimeji rosa será produzido pelos empreendedores

O agrônomo capixaba explica, ainda, que para a pesquisa e produção de cogumelos serão usados palha do café conilon, casca de coco e de cacau e bagaço de cana. Os empreendedores também utilização, para o cultivo, gramíneas a partir do aprendizado de uma técnica chinesa por Sael Sánchez em um curso oferecido pela Embrapa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília. A técnica é conhecida como “JunCao” (em chinês, Jun/fungo e Cao/gramínea).

Como o projeto da dupla tem como um dos pilares a sustentabilidade, os substratos (que são os materiais citados acima e que servem de alimento aos fungos produtores de cogumelos) serão reutilizados para obter adubos orgânicos para atividades agrícolas, fechando o ciclo de produção com o mínimo de geração de resíduos.

Além dos dois pesquisadores, o projeto tem também como integrantes a agrônoma e mestranda em Ciências do Solo da UFRRJ Camila Costa de Oliveira, que pretende aplicar os conhecimentos adquiridos na Universidade de Bolonha (Itália), onde realizou entre 2013 e 2014 estágio com Horticultura Urbana pelo programa Ciência sem Fronteiras, e o professor agrônomo Wellington Mary, do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFRRJ e que trabalha com cultivo protegido e ambiência. O professor pretende contribuir com os ajustes nas condições de climatização para otimizar o cultivo dos cogumelos no estado capixaba.



Tags: brasil, ciência, cogumelo, economia, pesquisa, shiitake, shimeji, sustentabilidade, ufrrj, universidade

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