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Ciência e Tecnologia

Lua de sangue: o que astrônomos e astrólogos dizem sobre raro fenômeno?

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Nesta quarta-feira (31) o fenômeno da ocorrência tripla da Superlua, Lua Azul e a Lua de Sangue volta a acontecer no céu após 150 anos, despertando o interesse de astrônomos e astrólogos de todo o mundo. A Sputnik conversou com dois especialistas que falaram sobre o impacto destes fenômenos no mundo.

A última vez que a Superlua, Lua Azul e a Lua de Sangue ocorreram simultaneamente foi em 1866 e a próxima vez será apenas em 31 de janeiro de 2037.

A raridade do evento desperta a curiosidade de diversas áreas, seja pela explicação científica sobre os diferente fenômeno lunares, seja pelo impacto que as posições lunares teriam em nossas vidas e no mundo. A Sputnik ouviu especialistas da astronomia e da astrologia sobre suas diferentes perspectivas em relação aos movimentos celestes. 

Lua de sangue é evento que provoca discussões entre astrônomos e astrólogos
Lua de sangue é evento que provoca discussões entre astrônomos e astrólogos

Astronomia Vs. Astrologia

Perguntado sobre as crenças populares de que as posições da Lua podem causar influência sobre a saúde humana e o comportamento de pessoas e animais, o professor de física da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Marcelo Souza, foi categórico ao responder se havia uma relação científica que justificasse tais fatos.

"Não. Já fizeram todo o tipo de pesquisa e não tem nada comprovado. O único efeito realmente comprovado são as marés", destacou. 

Segundo ele, "o campo gravitacional da Lua junto com o campo gravitacional do Sol e o movimento do sistema Terra-Lua são responsáveis pela maré.

"A maré acontece por isso. Então aquele ciclo de marés que a gente vê está relacionado diretamente à Lua e o Sol e o movimento entre a Terra e a Lua", explicou. 

O físico também comentou sobre a possível relação científica com o fato de que pessoas gostam de cortar o cabelo de acordo com as posições da Lua. Segundo Marcos Souza, a relação com a ciência aqui também é zero."

Já fizeram várias experiências pra poder tirar qualquer dúvida e não teve mudança nenhuma entre você cortar o cabelo na lua cheia, na lua crescente, na lua nova, lua minguante… vai acontecer de qualquer jeito", concluiu o especialista. 

Já a astróloga Vera Facciollo, presidente da Associação Brasileira de Astrologia, falou com a Sputnik sobre a relação das posições lunares e a nossa vida da perspectiva da astrologia.

"Todos os planetas tem alguma influência sobre a Terra e sobre os demais planetas. Há uma inter-relação entre todos os planetas entre si. Então o fato de termos uma Lua cheia, crescente ou minguante, isso influencia não só no nosso humor, nossa estabilidade emocional, mas nos acontecimentos do mundo. Então períodos de chuvas, vento, regimes climáticos são regidos pela Lua em grande medida", disse ela. 

Segundo a astróloga, "o fato de ter um eclipse ou um aspecto positivo ou negativo da Lua com os demais planetas afeta o destino das pessoas, os acontecimentos da vida".

Ao ser perguntada sobre o grau de complementaridade ou divergência entre a astronomia e a astrologia, Vera Facciollo afirmou que é inevitável conhecer bastante de astronomia para fazer um cálculo correto do mapa astral de uma pessoa. Para a especialista, astrologia deve ser encarada como uma ciência. 

"Eu vejo como ciência sim. Ela requer um número suficiente de anos de pesquisa, de estudo, de levantamento de mapas de muitas pessoas para que você tenha uma noção suficiente para fazer a análise de um mapa", afirmou Vera Facciollo. 

Superlua iluminará o céu do Brasil na noite desta quarta-feira (31)

Superlua, eclipse lunar, lua azul e lua de sangue. Esta série de fenômenos pode ser vista mundo afora nesta quarta-feira (31). No entanto, nem todos esses eventos poderão ser vistos do Brasil. Por aqui, conseguiremos ver somente a superlua.

“Este eclipse total da Lua não será visto em nenhum lugar do Brasil, pois quando o eclipse acontecer será dia para nós”, explica a pesquisadora Josina Nascimento, do Observatório Nacional.

Ela lembra que o termo “superlua” não é científico. A definição se refere à Lua Cheia quando se encontra no ponto mais próximo em sua órbita em torno da Terra. “Isso faz com que a Lua pareça maior”, diz a pesquisadora.

“Em uma definição, fala-se que é superlua sempre que a Lua for nova ou cheia e estiver até 90% próxima do perigeu [menor distância entre a Lua e a Terra]. Se esse 90% for em distância à Terra, a Lua leva 7 dias para fazer essa mudança e aí já nem está mais na fase cheia ou nova. Se for em horas, a gente pode pensar que o período de fases é de aproximadamente 28 dias e que 10% disso seria 2,8 dias. Tanto pela primeira hipótese quanto pela segunda, dia 31 seria superlua”, afirma.

Já a chamada Lua Azul é quando ocorre a segunda Lua Cheia no mesmo mês. “Apesar do nome, a Lua não fica azul”, alerta.

Com Agência Sputnik

Tags: astrologia, astronomia, fenômeno, lua, lua de sangue, superlua, vera facciollo

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