Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

Ciência e Tecnologia

Pesquisadores da UFF estudam danos causados ao cérebro pela má alimentação

Crianças mal alimentadas podem apresentar sintomas similares ao autismo

Jornal do Brasil

Os pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) avançam nos estudos sobre a relação entre a alimentação e os distúrbios mentais, principalmente nos primeiros anos de vida. O objetivo da pesquisa, realizada pelo Laboratório de Plasticidade Neural (LPN) da UFF, é estabelecer os danos provocados pela má nutrição ao cérebro e de que forma é possível recuperar o desenvolvimento normal com mudanças nos hábitos alimentares e estratégias de suplementação de nutrientes. 

A pesquisa, realizada em modelos animais, mostrou que ratos mal alimentados apresentam atrasos significativos no desenvolvimento sensorial, o que sugere que crianças mal estimuladas e/ou mal alimentadas podem apresentar alguns sintomas característicos do autismo, como o atraso na fala, apatia e baixa interação social. Além disso, o estudo, nos modelos animais, sugere danos permanentes, indicando que a má nutrição pode produzir quadros de atraso do desenvolvimento limitando de forma permanente o desempenho da criança e do adolescente.

Os pesquisadores trabalham com nutrição experimental, por meio de testes, para avaliar os efeitos causados por dietas. A partir das avaliações buscam construir conhecimento das condições normais e patológicas do desenvolvimento neural dos indivíduos, inclusive durante a formação do feto na gravidez, com o propósito de evitar distúrbios, deficiências mentais e doenças neurodegenerativas. 

“A expectativa é que os resultados dos experimentos possam contribuir para a questão da saúde pública e para a conscientização da população sobre a importância de uma alimentação equilibrada para os mais diversos aspectos do desenvolvimento humano”, explicou o professor e chefe do laboratório da UFF, o neurocientista Claudio Alberto Serfaty. 

Segundo o professor, o período crítico de desenvolvimento vai do nascimento até os sete anos de vida, mas que pode se estender até o fim da adolescência. A estimulação ambiental e a nutrição correta e balanceada são fundamentais para o amadurecimento do cérebro. 

De acordo ainda com o neurocientista, não é somente a forma da desnutrição proteico-calórica, em que as crianças são de baixo peso e baixa estatura, que preocupa. Existem outras em que a criança tem um bom aporte energético (não perde peso) que são tão preocupantes quanto a forma mais grave de desnutrição, ao menos para o desenvolvimento do cérebro. 

“Devemos estar sempre atentos à educação nutricional. Os pais precisam ficar em alerta com as crianças que consomem alimentos industrializados em excesso e se recusam a uma alimentação adequada com fontes proteicas. Comida saudável é aquela que fazemos em casa”, ressalta Claudio Alberto Serfaty. Para ele, o ideal é que toda a população tenha acesso a um melhor padrão nutricional, principalmente as gestantes e as mulheres que estão amamentando, para que o feto e o bebê tenham um desenvolvimento saudável. 

Segundo o vice-reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, o trabalho realizado no laboratório mostra um dos mais importantes papeis da universidade, que é o de gerar conhecimento e assim contribuir para a construção de uma sociedade mais saudável com base na informação. 

Tags: beleza, cirurgia, estética, mercado, negocios, saude

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