Jornal do Brasil

Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

Ciência e Tecnologia

Julho Verde alerta para câncer de cabeça e pescoço

Segundo tipo mais frequente entre homens, doença tem DST e combinação de álcool e fumo como vilãs

Jornal do Brasil

Período de combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, o Julho Verde, campanha ainda pouco familiar à maioria da população, traz um alerta importante para as mulheres, mas, principalmente, aos homens.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o câncer de boca e laringe é, hoje, o segundo mais recorrente entre homens, com 18 mil casos diagnosticados anualmente no Brasil, atrás, somente, do câncer de próstata. Ainda de acordo com a instituição, a perspectiva de incidência desse gênero em 2015 foi de 576 mil novos casos no país.

“Na verdade, chamamos de câncer de cabeça e pescoço tumores que surgem nas seguintes regiões: na cavidade oral (boca), faringe (garganta), laringe, cavidade nasal (nariz), seios da face e glândulas salivares. Apesar de serem estruturas localizadas próximas umas das outras, são tumores com comportamentos inteiramente diferentes. Alguns são mais agressivos que outros”, esclarece a oncologista do Centro de Excelência Oncológica dra. Juliana Ominelli.  “Geralmente, esse tipo de câncer afeta de duas a três vezes mais homens do que mulheres, mesmo quando relacionado ao vírus do papiloma humano (HPV), doença sexualmente transmissível. E é mais incidente em pacientes com idade entre 50 e 60 anos, podendo surgir na faixa etária mais jovem, com cerca de 30 anos”, analisa a médica. 

A oncologista enfatiza alguns sinais nem sempre associados à doença e chama a atenção para o perigo da combinação de tabagismo e álcool: “Os principais sintomas vão depender da localização onde o tumor se desenvolver, podendo iniciar como um nódulo no pescoço, dor ou dificuldade de engolir, falta de ar, rouquidão persistente, sangramento, um machucado que não cicatriza na boca, na língua ou no lábio”, observa dra. Juliana.

Diagnóstico precoce ainda é crucial para a recuperação completa

É unanimidade entre especialistas que conhecer os fatores de risco do Câncer de Cabeça e Pescoço ajuda na prevenção mais eficaz. “Devemos ficar mais atentos a pessoas que fumam e ingerem bebida alcoólica com frequência. Essa associação parece aumentar ainda mais o risco, como se um elevasse a potência do outro de surgimento do câncer. Tabaco, ingestão de bebida alcoólica e infecção por HPV são as principais ameaças, mas não são as únicas. Há, também, a predisposição genética e tratamento prévio com radioterapia”, observa a oncologista, que evidencia: “A infecção por HPV está associada, principalmente, ao câncer que surge na boca, frequente em pacientes mais jovens. Já era sabido que o HPV estava relacionado a outros tumores, como câncer de colo uterino. Contudo, a associação dessa infecção ao Câncer de Cabeça e Pescoço ficou mais evidente com a diminuição do tabagismo e aumento da doença em pacientes jovens. Afinal, historicamente, este tipo de câncer ocorria principalmente em homens com cerca de 60 anos”, diz dra. Juliana.  

Apesar da agressividade desse tipo de tumor, a cura é um quadro real, desde que o prognóstico seja precoce: “Há cura, caso o diagnóstico seja identificado de forma prematura, com a doença pequena e localizada. O tratamento pode ser por meio de cirurgia ou radioterapia, dependendo da localização e do tamanho do tumor. A escolha do tratamento deve ser feita por uma equipe de médicos especialistas, para definir a melhor opção e minimizar sequelas”, recomenda a oncologista.    

Para a médica, tão importante quanto ter conhecimento das condições de risco é estar em harmonia com os aliados da saúde: “Sabemos que ter uma vida saudável e equilibrada diminui muitos problemas, desde o risco de câncer até ameaça de doenças do coração. Então, evitar o tabagismo e a ingestão de bebida alcoólica favorece diretamente a prevenção de Câncer de Cabeça e Pescoço. O diagnóstico precoce é essencial para que seja possível realizar um tratamento com chances de cura. Dessa forma, o surgimento de lesões (nódulos, massas, machucados), principalmente, em pessoas que já possuem fatores de risco deve ser sempre investigado”, assegura a médica do Centro de Excelência Oncológica.  

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