Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Ciência e Tecnologia

ANM discute o Programa Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis em Simpósio

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Tendo em vista o compromisso assumido em seu Estatuto interno, que afirma que a Academia Nacional de Medicina deverá responder às consultas do governo e das autoridades constituídas e contribuir para o desenvolvimento e progresso em geral da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências correlatas, a instituição realizou nesta quinta-feira (13), o Simpósio Brasileirinhas & Brasileirinhos Saudáveis, de organização do Acadêmico e ex-Ministro da Saúde, José Gomes Temporão e da Dra. Liliane Penello, responsável pelo programa Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis (EBBS).

Segundo dados disponíveis no site do IBGE, a taxa de mortalidade infantil no Brasil tem registrado queda constante desde o ano de 2000, passando de 29,2 para 13,82 por mil nascidos vivos. A Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis (EBBS) é uma iniciativa estabelecida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde, que traz um questionamento político inovador, vinculando o desenvolvimento saudável, pleno e potente das crianças brasileiras à construção de sua cidadania e o desenvolvimento sustentável do país.

Os Acadêmicos Claudio Cardoso de Castro, José Gomes Temporão e FranciscoSampaio (Presidente) e as Dras. Liliane Penello, Liliana Lugarinho e ThaisSeverino
Os Acadêmicos Claudio Cardoso de Castro, José Gomes Temporão e FranciscoSampaio (Presidente) e as Dras. Liliane Penello, Liliana Lugarinho e ThaisSeverino

Na abertura do Simpósio, a Dra. Liliane Mendes Penello fez apresentação sobre a construção e a implantação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), ressaltando que o modelo do EBBS valoriza o conceito de visão sistêmica em suas propostas de atenção básica à primeira infância. Sobre a implantação de um plano nacional de atenção integral à saúde, chamou atenção para o fato que políticas públicas nesse campo devem considerar que o desenvolvimento saudável dos brasileiros depende de um desenvolvimento saudável na infância.

Em sua segunda contribuição no Simpósio, a Dra. Liliane Penello fez conferência acerca da ética do cuidado, os determinantes sociais da saúde, a cooperação e o ambiente facilitador à vida como orientadores das políticas públicas, apresentando os desafios de construção de uma política pública que seja, de fato, cuidadora. Para a Dra. Liliane, a capacidade de cooperar é um importante recurso adaptativo, destacando também a necessidade do desenvolvimento do sentimento de empatia, definindo esta como o envolvimento reservado e exigente de estar próximo ao outro para a cooperação e construção de vínculo, sem, entretanto, ocupar seu lugar ou falar em seu nome.

Apresentando aula sobre “Projeto de Capacitação de Profissionais da Atenção Básica em Saúde da Criança”, as Dras. Liliana Lugarinho (Fiocruz) e Thais Severino (SES/RJ) abordaram a experiência do Estado do Rio de Janeiro com a Síndrome do Zika Vírus, ressaltando os planos de monitoramento e controle da microcefalia, que têm como principal objetivo capacitar profissionais de saúde da Atenção Básica para o exercício do cuidado biopsicossocial, favorecendo a vigilância e o acompanhamento do desenvolvimento integral da criança, especialmente àquelas afetadas pelo Zika Vírus, e o acolhimento às famílias e aos trabalhadores de saúde.

Houve, ainda, uma mesa dedicada às contribuições do estado do Maranhão, na qual foram abordadas questões relacionadas à implementação da política, que tem como objetivo não só a redução da mortalidade infantil, mas também a redução da mortalidade materna.As Dras. Marielza Cruz e Ana Lúcia Nunes representaram a Secretaria de Saúde do estado, que é considerado estado prioritário para o Ministério da Saúde na implementação da estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis. Dentre as estratégias apresentadas, foram destacados o fortalecimento da atenção básica por meio de capacitações com a planificação da atenção primária; o redesenho das redes materno-infantil com o apoio técnico da OPAS/OMS e a criação da Força Estadual de Saúde do Maranhão para atuação nos 30 municípios de menor IDH.

Em sua apresentação sobre as estratégias de fortalecimento da Atenção Integral, a Dra. Thereza de Lamare (SAS/MS) afirmou que os objetivos da implementação desta estratégia são identificar todas as crianças com suspeita de microcefalia; esclarecer o diagnóstico de todos os casos suspeitos; garantir o acesso ao cuidado e a proteção social de todas as crianças com suspeita de microcefalia e suas famílias e o repasse de R$ 10,9 milhões para apoiar estados e municípios no transporte e hospedagem.

A Dra. Patrícia Souza (Projeto Ninar) teve duas contribuições no Simpósio: primeiro, fez a apresentação de um estudo de caso da síndrome Zika Vírus Congênita, expondo as causas congênitas e ambientais para o desenvolvimento da microcefalia; depois, participou da mesa redonda sobre o Projeto Ninar e o dispositivo ‘Casa de Apoio’, ressaltando que esta foi idealizada com a missão de fornecer não só orientação e assistência multiprofissional às famílias de crianças com Distúrbios do Desenvolvimento Neuropsicomotor, mas também como um dispositivo que permitisse que as famílias vivenciassem a maternagem, construindo uma memória para seus filhos.

A Dra. Zeni Carvalho (UFMA) apresentou o projeto de monitoramento da síndrome congênita pelo vírus Zika e análise espacial e temporal do vírus Zika e Chikungunya no Maranhão, ressaltando que os principais desafios envolvem: a confirmação laboratorial dos casos; a inexistência de um bom teste sorológico de detecção de anticorpos; a expansão das cooperações nacionais e internacionais e a complexidade que envolve um projeto deste porte, principalmente do ponto de vista do financiamento.

Por último, falou o Dr. Marcos Pacheco, representando o Governador Flavio Dino de Castro e Costa, chamando atenção para algumas das ações já implementadas pelo Governo do Estado, como a elaboração, revisão e distribuição dos protocolos de ação, a definição das Unidades de referência; o incentivo à notificação e investigação dos casos; a busca ativa às crianças suspeita de microcefalia, para fornecer tratamento adequado e também a sensibilização dos gestores regionais, municipais e profissionais para notificar, investigar, diagnosticar, monitorar e acompanhar as crianças com Distúrbios do Desenvolvimento Neuropsicomotor.

Tags: brasil, ciência, debate, medicina, pesquisa, saúde

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