Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Ciência e Tecnologia

'The Economist': Impacto econômico do ebola será ainda mais forte na África

Segundo o jornal, surto estaria afetando negativamente setores como a agricultura nos países

Jornal do BrasilRafael Gonzaga*

O jornal norte-americano The Economist publicou uma matéria nesta quinta-feira (4) afirmando que além das mais de 1,9 mil pessoas que já morreram em decorrência da epidemia de ebola nos quatro países mais afetados pelo vírus, muitas outras pessoas ainda vão ter as vidas afetadas economicamente pela doença. Segundo o jornal, os piores reflexos da epidemia ainda serão sentido pelos governos, que tentam calcular quanto o surto irá efetivamente custar. Na Libéria, por exemplo, o prejuízo que o Ministério de Finanças está estimando é de até US$ 30 milhões – valor relativamente alto levando em conta o orçamento do país.

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A Libéria tem crescido em uma taxa de mais de 8% desde o fim dos confrontos pelos quais o país passou. Contudo, por conta do ebola, as estimativas de crescimento caíram para 3,5%. O jornal estadunidense afirma que, de acordo com o ministro das Finanças Amara Konneh, a queda se deve principalmente a danos causados ??nos setores de mineração, agricultura e indústrias de serviços. As causas dos danos estariam ligadas à diminuição de pessoas trabalhando, ao fechamento de fronteiras e à suspensão de determinados voos internacionais.

A matéria lembra ainda que algumas regiões cruciais para o setor agrícola são justamente regiões que estão em quarentena, portanto, o comércio do setor acabará ficando prejudicado. A empresa de alimentos Sime Darby, maior produtora mundial de óleo de palma, está diminuindo a produção e SIFCA Group, uma agroindústria com sede na Costa do Marfim, suspendeu as exportações de borracha. Além disso, Konneh estaria também esperando uma queda nas exportações de minério de ferro em 2015 – investidores como a China já estariam reduzindo as negociações para colocar em prática planos de expansão.

Além desses fatores, o jornal aponta também os altos custos que os países irão enfrentar no próprio combate à epidemia, mesmo contado com forte ajuda internacional. O governo na Libéria estaria colocando em prática medidas de austeridade fiscal para tentar compensar esses gastos, mas que mesmo assim ainda existe a possibilidade de que o país vá precisar recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter uma possível ajuda adicional.

A prioridade do governo da Libéria, no momento, seria alocar verba suficiente para suprir as demandas do setor da saúde, segundo Konneh. A matéria do The Economist teria dito que, de acordo com o ministro, só após resolver as urgências financeiras relativas à saúde – em decorrência do ebola –, é que o governo irá se preocupar com pagamento dos servidores públicos. Gastos com segurança para impor e administrar zonas de quarentena estariam em terceiro lugar nas prioridades relativas aos gastos e toques de recolher seriam a prioridade seguinte. O restante, de acordo com o jornal, terá que esperar.

* Do programa de estágio JB

Tags: Aeroportos, Congo, ebola, guiné, libéria, NIGÉRIA, organização mundial da saúde, senegal, serra leoa

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