Jornal do Brasil

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Ciência e Tecnologia

Aeroporto do Rio é o primeiro a receber simulação para possíveis casos de ebola

Ministério da Saúde diz que ação deverá ser realizada também em São Paulo e Brasília

Jornal do BrasilRafael Gonzaga*

Apesar de as possibilidades de um viajante infectado por ebola chegar ao Brasil serem consideradas muito baixas pelas autoridades de saúde, o Rio de Janeiro foi palco nesta sexta-feira (29) de uma simulação aplicando procedimentos que deverão ser seguidos pelas equipes de saúde em casos de entrada de pessoas contaminadas no país. A simulação começou às 9h no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão e terminou no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz). Outras simulações deverão ser feitas em outros aeroportos, de acordo com o Ministério da Saúde.

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Em coletiva de imprensa em Brasília, o ministro da saúde, Arthur Chioro, explicou que o objetivo da simulação era treinar cada um dos setores envolvidos e, dessa maneira, aprender e reforçar os procedimentos da cadeia de ações que estão envolvidos em uma emergência na saúde. O ministro lembrou que na Copa do Mundo 2014 já tinham sido realizadas simulações focadas na questão do bioterrorismo. Além disso, segundo Chioro, o SAMU já faz simulações pelo menos duas vezes por ano para integrar a equipe de saúde com bombeiros e companhias de tráfego, por exemplo.

O ministro declarou a intenção de realizar mais testes semelhantes, em Brasília e em São Paulo. “Precisamos sempre colocar nossas equipes em situações parecidas com situações mais concretas de emergência para, desse modo, ganhar eficiência na resposta. Nós queremos estar bem preparados, muito embora o risco de transmissão de ebola seja muito pequeno no nosso país”, afirma.

O secretário de vigilância em saúde do Ministério, Jarbas Barbosa, também acredita que seja preciso repetir a experiência e, segundo ele, a simulação é a única forma de treinar as equipes verificando os ensinamentos foram incorporados. “Começamos 9h da manhã e passamos a fazer então todos os procedimentos: a remoção, a entrevista com cada uma das pessoas que estariam próximas, o transporte na ambulância, a recepção pela equipa no hospital de referência. Ou seja, estamos treinando as pessoas em uma situação mais próxima da vida real. Nessas situações muito raras, a única maneira de aprender é fazer o exercício”, acredita.

A ação foi realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, com a participação também da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Fiocruz, do Corpo de Bombeiros, da companhia de linhas aéreas Tam e da Concessionária RIO Galeão. A simulação contemplou desde a comunicação do caso suspeito feito do avião à equipe da Anvisa no aeroporto até o atendimento clínico no hospital de referência, passando também pelo transporte do paciente pelo SAMU.

O ministro Chiori lembrou ainda na coletiva que, apesar de todo o treinamento, as possibilidades de entrada do vírus no país são remotas. De acordo com o ministro, não há nenhum caso suspeito que tenha chegado ao Brasil e nunca houve. “Existe uma ação de bloqueio local, a OMS tem trabalhado de forma muito forte no sentido de prover que a primeira linha de bloqueio seja já nas próprias comunidades onde a epidemia está acontecendo. Nos aeroportos locais tem uma segunda linha de bloqueio e, se ainda sim chegasse alguém contaminado no Brasil, teríamos uma terceira linha de bloqueio nos aeroportos daqui. Sem contar que esses países não têm voos diretos com o Brasil, ou seja, eles teriam que passar por aeroportos da Europa, onde encontrariam outra linha de bloqueio”, explica.

Tratamento de ebola no Brasil

O secretário de vigilância em saúde do Ministério, Jarbas Barbosa, negou a utilização de qualquer medicamento experimental no tratamento de ebola aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, a droga ZMapp foi administrada com sucesso no médico norte-americano Kent Brantly e na missionária Nancy Writebol. Ambos foram contaminados enquanto tratavam de doentes de ebola em Monróvia, capital da Libéria, e foram levados de volta para os Estados Unidos, onde receberam o tratamento experimental e já receberam alta.

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No dia 13 de agosto, a Libéria recebeu três doses do medicamento experimental. Três médicos, os liberianos Zukunis Ireland e Abraham Borbor e o nigeriano Aroh Cosmos, estavam reagindo bem à medicação, e vinham aumentando a sensação de otimismo em relação à terapia experimental. Contudo, um dos médicos acabou falecendo na última semana.

De acordo com Barbosa, o medicamento não tem nenhuma evidência comprovada nem de segurança e nem de eficácia. De acordo com a OMS, a letalidade do ebola está diminuindo: passou de 62% para os atuais 52% - variando ainda de um país para o outro. “Não existe recomendação de uso. Está abaixando a letalidade porque estão sendo colocados hospitais de campanha e mais locais para atender esses pacientes. Os conhecimentos que temos hoje reduzem muito a letalidade. Tem gente que tomou o remédio e melhorou, assim como teve gente que não tomou e melhorou. Atualmente, nenhuma droga é recomendada, então todo o tratamento é feito com suporte para manter o paciente vivo”, afirmou.

Surto mais violento de ebola da história

O último balanço divulgado pela ONU, na última quinta-feira (28), já contabiliza 3.069 casos de ebola, incluindo 1.552 mortes, na Nigéria, Guinée, Libéria e Serra Leoa. Outros países também já apresentaram casos de ebola: República Democrática do Congo e Senegal também apresentaram casos da doença. Segundo a OMS, os casos do Congo não estão vinculados com o surto atual e a confirmação do vírus no Senegal foi feita após o último balanço.

Ainda segundo a OMS, mais de 40% do número total de casos foram registrados no último mês  e foram concentrados em algumas localidades específicas. O balanço anterior da epidemia, divulgado no dia 20 de agosto, que continua a avançar de forma acelerada, mostrava a existência de 2.615 casos e 1.427 mortes.

*Do programa de estágio JB

Tags: Aeroportos, brasil, Congo, ebola, guiné, libéria, NIGÉRIA, organização mundial da saúde, senegal, serra leoa

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