Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Ciência e Tecnologia

Vacina experimental contra o ebola está sendo estudada pela OMS

Congo entrou na lista de países atingidos neste domingo; Ebola já matou mais de 1,3 mil pessoas

Jornal do BrasilRafael Gonzaga*

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um comunicado na última sexta-feira (22) anunciando que irá começar em setembro a trabalhar sobre uma potencial vacina contra o ebola. A nota diz que a vacina já foi testada em três profissionais de saúde na Libéria e que os resultados foram considerados promissores. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que fará uma consulta sobre terapias e potenciais vacinas em Genebra, na Suíça, nos dias 4 e 5 de setembro. Os últimos dados divulgados da pior epidemia de ebola da história apontavam para 2.473 casos já identificados, dos quais 1.350 foram vítimas letais. Neste domingo (24), a República Democrática do Congo entrou para a lista de países afetados pela doença.

Em paralelo a esse tratamento, outras vacinas contra o ebola também estão sendo trabalhadas em outros pontos do mundo. Recentemente, um tratamento considerado promissor chamado ZMapp foi testado em dois missionários norte-americanos que haviam sido infectados na África. A enfermeira Nancy Writebol e o médico Kent Brantly receberam durante quase três semanas o soro experimental Zmapp à base de um fármaco que ainda não havia sido aplicado nem em seres humanos. O medicamento foi utilizado após obter bons resultados em testes realizados em com macacos.

A expansão da doença continua acontecendo. Neste domingo (24), o ministro da Saúde da República Democrática do Congo, Félix Kabange Numbi, confirmou a presença de casos de pacientes com ebola dentro do país - mais especificamente na província de Equador, onde testes positivos apontam para a morte de 13 pessoas por conta da febre hemorrágica. Até agora, o vírus estava restrito à Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria. O Congo já fazia parte de um grupo de onze países africanos que iriam adotar políticas comuns no combate ao vírus.

Áreas críticas da epidemia na Libéria, Guiné e Serra Leoa
Áreas críticas da epidemia na Libéria, Guiné e Serra Leoa

A comunidade médica vem se mobilizando para conter a doença e as autoridades governamentais tem ficado de olho em questões ligadas às fronteiras. Onze países do Oeste da África decidiram adotar uma estratégia única de contenção do ebola. As autoridades sul-africanas anunciaram na última quinta-feira (21) que suas fronteiras estão fechadas para pessoas procedentes de Guiné, Libéria e Serra Leoa diante do risco da epidemia de ebola.

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O mundo está sempre vulnerável a novas ameaças infecciosas, que podem resultar do surgimento de um novo agente infeccioso ou do re-surgimento de um agente antigo em um novo contexto epidemiológico, como explica o infectologista Regis Andrade, professor de doenças infecciosas na UNIRIO. “A velocidade com que esses agentes se espalham dependerá da resultante entre a facilidade com que são transmitidos e a eficiência das ações de contenção orquestradas pelos órgãos de saúde”, diz.

Ebola relembra outros surtos epidêmicos históricos

O surto de ebola faz lembrar outros momentos históricos complicados, como os casos de surto de, por exemplo, gripe aviária. O infectologista diz que a eficiência da resposta dos órgãos de saúde a ameaças infecciosas tende a evoluir positivamente ao longo do tempo, como resultado do aprimoramento das tecnologias de diagnóstico, da facilidade informacional sobre doenças e até mesmo do aprendizado com situações anteriores. “No Brasil, podemos observar uma maior velocidade de resposta dos órgãos de saúde do que observamos no caso da Gripe A H1N1 em 2009, no sentido de elaborar orientações para as instituições e profissionais de saúde sobre a doença, antes da chegada da doença no país”, aponta.

O especialista diz também que essa epidemia possui diversas diferenças quando comparada com epidemias mais recentes causadas por outros agentes. Na gripe A H1N1, inicialmente chamada de gripe suína, a letalidade era de cerca de 0,5% e na gripe aviária, girava em torno de 30 até 50%. As epidemias de ebola, por outro lado pode chegar até próximo de 90%, como explica o infectologista.

Outra diferença considerada crucial é o fato de que para os casos de gripe, já havia medicação antiviral comercialmente disponível para tratamento. No caso do ebola, um possível tratamento ainda se encontra em estudo. O infectologista lembra também de um detalhe importante sobre o ebola: diferente da maioria das doenças infectocontagiosas, o ebola felizmente não é transmissível durante o período de incubação. “O indivíduo infectado só terá capacidade de transmitir o vírus a partir do momento em que começar a apresentar os sintomas da doença. Esse fato ajuda a conter a disseminação da infecção na população pois facilita a identificação imediata dos potenciais transmissores e isolamento dos mesmos”, explica.

*Do programa de estágio JB

Tags: ebola, guiné, h1n1, libéria, NIGÉRIA, organização mundial da saúde, serra leoa, vacina, zmapp

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