Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Internacional

Dois norte-americanos são curados do ebola

Agência ANSA

O médico norte-americano Kent Brantly, 33 anos, deixou hoje o hospital Emory Center, em Atlanta, após ser curado do vírus ebola contraído na Libéria em julho. O profissional declarou que "é um milagre" estar vivo e que "precisa de um tempo junto com sua família, após quase um mês separados".

Brantly agradeceu muito às orações de "milhares ou até milhões" de pessoas pela sua recuperação e pediu que todos "continuem a rezar pela Libéria e pela África". Ele ainda ressaltou que "quando sua família se mudou para a Libéria, não sabia do ebola" e que assim que os primeiros alertas da doença foram divulgados "eu e minha família nos preparamos para o pior". Porém, Brantly reconheceu que "nunca" havia se imaginado nessa situação.

O médico também fez um agradecimento especial aos médicos, tanto africanos quanto norte-americanos que cuidaram dele, e disse aos funcionários do Emory que "vocês foram meus amigos e minha família nessas três semanas e eu não vou esquecer vocês e tudo o que vocês fizeram por mim". Religioso, Brantly também falou, por várias vezes, que "Deus salvou sua vida", juntamente com o empenho de todas as pessoas que estavam a sua volta.

O chefe da equipe médica do hospital também comentou que a missionária Nancy Writebol, 60 anos, foi curada da doença e voltou para casa na última terça-feira (19). "Eles poderão voltar a viver com suas famílias, em suas comunidades e terem uma vida normal. Foi uma decisão correta trazê-los aos EUA porque o que aprendemos poderá servir para melhorar o tratamento das pessoas infectadas no mundo", falou o representante. Tanto Brantly quanto Writebol pertenciam à ONG Samaritan's Purse e trabalhavam no combate da doença no país.

Brantly chegou aos Estados Unidos no dia 2 de agosto, após ser infectado pela doença na Libéria, onde trabalhava no combate ao vírus. O presidente ONG, Franklin Graham, explicou que o médico "recebeu um medicamento experimental ainda quando estava na Libéria e uma unidade de plasma proveniente de um jovem de 14 anos que sobreviveu ao ebola". Writebol chegou ao país três dias depois.

Ontem (20), a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que estava analisando a possibilidade de fazer tratamentos em larga escala utilizando como base o plasma sanguíneo de pessoas que derrotaram a doença. O ebola mata entre 60% e 90% das pessoas infectadas.

 

Crise em Serra Leoa

Um dos países mais atingidos pelo vírus é Serra Leoa e o sistema sanitário está entrando em colapso por causa do ebola. Segundo a ONG Emergency, na área da capital Freetown há apenas duas estruturas médicas funcionando completamente e o principal hospital da cidade não está funcionando completamente porque muitos médicos e enfermeiros estão com medo de serem contaminados e não aparecem para trabalhar.

O último balanço divulgado pela OMS mostra que 52 pessoas de equipes médicas foram infectadas pelo vírus e 28 deles morreram.

 

MSF diz que ebola é "desastre"

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que "a epidemia de ebola na África Ocidental é um completo desastre e as agências de saúde ainda não entenderam essa realidade", falou a presidente da entidade, Joanne Liu, em entrevista ao jornal The New York Times.

Segundo ela, "a OMS, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças e outros grupos de ajuda precisam estar completamente envolvidos na prevenção e na observação, traçando o perfil das pessoas doentes. E também enviar mais pessoas a campo", disse Liu ressaltando que a MSF é quem mais está tratando os pacientes.

A epidemia do vírus Ebola na África Ocidental já deixou 1.350 vítimas fatais, segundo dados divulgados ontem pela OMS. Os números referem-se até o dia 18 de agosto. De acordo com a entidade, também foram registrados até aqui 2.473 casos de contaminação. 

Tags: africanos, doença, ebola, epidemia, mortes

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